Jean Laurindo
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A Operação Mensageiro completa nesta quarta-feira (6) um ano da primeira fase da investigação, que prendeu à época quatro prefeitos de Santa Catarina. O inquérito apura um esquema de pagamento de propina a agentes políticos em troca de vantagens indevidas para uma empresa em contratos de coleta de lixo firmados com prefeituras catarinenses
No dia da primeira fase da operação, três prefeitos catarinenses foram presos por suposto envolvimento no recebimento de propinas: Deyvisonn Souza, de Pescaria Brava, Luiz Henrique Saliba, de Papanduva, e Antônio Rodrigues, de Balneário Barra do Sul. Os três já renunciaram ou tiveram o mandato declarado extinto pelas câmaras municipais. Atualmente, estão em liberdade mediante medidas cautelares.
Dois dias depois, um quarto prefeito alvo de pedido de prisão preventiva, Marlon Neuber (PL), de Itapoá, foi detido após voltar de uma viagem de férias. Marlon também já renunciou ao cargo e foi o primeiro e único prefeito condenado até o momento, com pena de 18 anos de prisão aplicada em julgamento no final de setembro.
16 prefeitos já foram presos
Um ano depois da primeira fase, 16 prefeitos ou ex-prefeitos catarinenses já foram presos preventivamente em quatro fases deflagradas pela investigação. As prisões ocorreram entre dezembro de 2022 e abril de 2023. Atualmente, três prefeitos seguem detidos, e 13 estão em liberdade mediante medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica em alguns casos e proibição de contato com testemunhas e réus.
Esses 13 prefeitos conseguiram revogar a prisão preventiva ao longo deste ano e, se não forem alvos de novos pedidos, devem permanecer nesta condição até as sentenças dos casos, nos processos que tramitam em primeira instância, ou julgamentos, para os prefeitos que tiverem o futuro decidido no Tribunal de Justiça (TJSC).
Apenas três prefeitos permanecem nos cargos, em exercício ou afastados temporariamente. Antônio Ceron (PSD), de Lages, preso na segunda fase da investigação em fevereiro, foi autorizado pela Justiça a reassumir o cargo em julho deste ano. Adriano Poffo (MDB), de Ibirama, e Patrick Corrêa (Republicanos), de Imaruí, estão em liberdade e não renunciaram, mas foram impedidos pela Justiça de ocupar o cargo até uma definição dos casos na Justiça.
Os outros 13 prefeitos renunciaram ou tiveram os mandatos declarados extintos pela Câmara por outras condenações ou pelo prazo de afastamento em razão da prisão ter expirado. O caso mais recente foi o do prefeito de Massaranduba, Armindo Sesar Tassi, que renunciou nesta segunda-feira (4), às vésperas de a operação completar um ano.
A Mensageiro já investigou contratos em 20 cidades de Santa Catarina e teve 39 pessoas presas preventivamente. Os números foram divulgados em balanço do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) quando a operação completou sete meses.
Situação do caso Ceron:
