Quatro das sete indicações geograficas de SC são de produtos da Serra

Santa Catarina conta atualmente com sete Indicações Geográficas, todas obtidas com apoio da Epagri, sendo que quatro delas de produtos da Serra:

Queijo artesanal serrano 

A história do queijo artesanal serrano remonta a 1730, com o início do tropeirismo em Santa Catarina e o surgimento das primeiras propriedades rurais na Serra Catarinense. O produto reúne características únicas e o “saber-fazer” que atravessou o Atlântico com os portugueses. A região produtora abrange 18 municípios de Santa Catarina e 16 do Rio Grande do Sul.

Mais de 2 mil famílias catarinenses produzem esse queijo. Ele é feito com leite de vacas de raças de corte ou mista alimentadas basicamente com pastagens nativas e tem maior percentual de gordura. A produção ocorre em propriedades que se dedicam à pecuária de corte, com métodos tradicionais, mão-de-obra familiar e reduzido padrão tecnológico.

A busca pela Indicação Geográfica iniciou em 2009 por iniciativa da Epagri e de uma rede de instituições. O processo foi concluído em março de 2020, quando o INPI concedeu para o produto a Indicação Geográfica Campos de Cima da Serra na modalidade Denominação de Origem.

Vinhos de altitude 

A qualidade dos vinhos de altitude catarinenses, reconhecida pelas características de solo, altitude, clima da região e também por variedades de uvas e técnicas de cultivo aplicadas, resultou na Indicação Geográfica Vinhos de Altitude de Santa Catarina, concedida em junho de 2021.

O selo do INPI reconhece os Vinhos de Altitude produzidos no municípios de Rancho Queimado, Anitápolis, Alfredo Wagner, Bom Retiro, Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urupema, Painel, Lages, Capão Alto, Campo Belo do Sul, São José do Cerrito, Vargem, Brunópolis, Curitibanos, Frei Rogério, Monte Carlo, Tangará, Fraiburgo, Pinheiro Preto, Videira, Rio das Antas, Iomerê, Arroio Trinta, Santo Veloso, Treze Tílias, Macieira, Caçador, Vargem Bonita e Água Doce.

Os produtos reconhecidos são os vinhos finos, vinhos nobres, vinhos licorosos, espumante natural e vinho moscatel, e o brandy de Santa Catarina. São mais de 300 hectares de área cultivada, e mais de 1 milhão de garrafas produzidas anualmente.

Mel de melato da bracatinga 

A cada dois anos, nos anos pares, os bracatingais do Sul do Brasil são infestados por cochonilhas, que se fixam no tronco das árvores e se alimentam da seiva, excretando um líquido adocicado, o melato. Este líquido, que fica depositado nas partes externas da planta, é utilizado como matéria-prima pelas abelhas da espécie Apis mellifera e, a partir dessa associação, é elaborado o mel de melato de bracatinga.

Esse fenômeno ocorre apenas em áreas com altitudes acima de 700 metros no Planalto Sul Brasileiro, em condições específicas de clima e geografia. Graças a essas singularidades, Santa Catarina conquistou, em julho de 2021, a Indicação Geográfica do Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro, na categoria Denominação de Origem . Ela abrange uma área de 134 municípios, sendo 107 de Santa Catarina, 12 do Paraná e 15 do Rio Grande do Sul.

O mel de melato da bracatinga é mais escuro e amargo que o mel silvestre. Por isso, durante muito tempo não foi valorizado no Brasil. Foi a partir do envio de amostras para a Alemanha, que houve o reconhecimento da qualidade desse mel típico da região do Planalto Sul Brasileiro.

Maçã Fuji 

Indicação Geográfica da Maçã Fuji da Região de São Joaquim veio em agosto de 2021 e abrange uma área de 4.928 km² nos municípios de São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici e Painel.

A maçã Fuji produzida na região de São Joaquim destaca-se por suas características únicas de cor, formato e sabor, entre outras. A elevada altitude da região delimitada pela IG (acima de 1100 metros) é fator determinante para essas diferenciações.

O clima tipicamente mais frio da região de São Joaquim resulta em ciclo vegetativo mais longo com floração antecipada e colheita mais tardia, possibilitando a formação de frutos com maior tamanho e peso. Maçãs Fuji submetidas a temperaturas mais baixas nas semanas que antecedem a colheita são mais suscetíveis à ocorrência de pingo de mel, distúrbio fisiológico que deixa o fruto mais doce.

Estes diferenciais fazem a maçã Fuji da Região de São Joaquim ser considerada uma das melhores do mundo, possuindo um amplo mercado consumidor.

Deixe um comentário