A recusa de parte dos eleitores brasileiros a responder às pesquisas de intenção de voto é um fator de peso para entender a diferença entre os números dos levantamentos de véspera do 1º turno dos institutos, como Datafolha e Ipec, e os resultados finais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa é a avaliação de Clifford Young, presidente da unidade americana da empresa global de pesquisas Ipsos e professor da universidade Johns Hopkins, em Washington, onde dá aulas sobre análise da opinião pública.
— Existe um tipo de eleitor que está presente no Brasil e também nos EUA e na Europa. Em geral, homem e de classe média baixa. Ele perdeu a esperança no sistema e quer quebrá-lo. Para esse eleitor, é melhor explodir tudo e começar do zero — afirma o especialista, que já trabalhou na Ipsos do Brasil e acompanha a realidade do país há pelo menos 20 anos. Segundo Young, esse eleitor não acredita nos institutos de pesquisa e, por isso, rejeita participar dos levantamentos — essa recusa, segundo os pesquisadores, entra no pacote das “não respostas”.
No caso brasileiro, a “não resposta” dessa fatia mais radicalizada do eleitorado, estimada por ele em 3% da população, levou as pesquisas do 1º turno a uma sub-representação do percentual daqueles que pretendiam votar em Bolsonaro.
O pior não são as pesquisas mas o eleitor escondido que encima da hora vai achar um candidato para votar e nem sabe em quem está votando. Acontece na serra.