Dos mais de cinco mil funcionários da prefeitura cerca de três mil eram contratados

 

Em decisão prolatada pelo juiz da Vara da Fazenda, Sílvio Orsatto, nesta semana, em uma ação civil pública, em 30 dias a prefeitura terá de demitir todos os contratados. Há o entendimento que os poderes públicos devem ser tocados por funcionários concursados e o cerco, neste sentido, vem se fechando.

Dos mais de cinco mil servidores dos quadros da prefeitura de Lages, cerca de três mil eram contratados. O último concurso público visou apenas o preenchimento de 750 vagas, muito aquém do número necessário.

Cerca de 900 foram demitidos neste início de gestão. A prefeitura ainda conta com perto de 1.400 contratados. Demitir todos em 30 dias, significa paralisar as atividades, “não há como tocar a prefeitura sem esses contratados”, disse ontem o prefeito Ceron.

Por isso, deve recorrer da decisão e, acredita que o juiz Orsatto acatará pedido para prorrogar o cumprimento da decisão, “pois tem se mostrado sempre muito sensato”, diz ele.

 A transformação dos quadros da prefeitura em 100% de efetivos (salvando apenas os cargos comissionados) por um lado é bom, pois tira a conotação política das nomeações, de outro, cria problemas futuros.

Primeiro porque decorre da efetividade certa acomodação por parte do funcionário, sabedor que é de que a demissão só acontece mediante falta muito grave. Entre os efetivos há uma média de 20% de funcionários em licença.

Ceron até cita o caso dos hospitais: enquanto no Nossa Senhora dos Prazeres o índice de falta ao serviço é de menos de 2%, no Hospital Tereza Ramos (mantido pelo governo e com funcionários efetivos) chega a mais de 10%.

De outro lado, aumentando o quadro de efetivos cria-se um problema para as gestões futuras. “Já temos sobras de salas de aula nas escolas e lá na frente também vão sobrar professores e aí o que o poder público vai fazer com eles?”, observa Ceron.

Há contudo também a renovação dos quadros, na medida em que os servidores vão se aposentando. Acredito que a preocupação nem seria essa, mas temos de concordar que a estabilidade cria uma certa malemolência por parte do servidor. Diante deste novo quadro o administrador terá de ser, antes de tudo, um bom gestor, duro nas determinações e cobranças, sob pena de comprometer o desempenho do seu mandato.

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