Pelo que consegui apurar é no mínimo estranho o que aconteceu no processo que acabou na venda do prédio da Samt para cobrir as dívidas trabalhistas.
Imóvel nem chegou a ir a leilão
O prédio acabou sendo vendido a um empresário de Lages que está hoje em Rio do Sul. Haviam três interessados, mas não foi feito sequer leilão. O terceiro que apareceu oferecendo R$ 100 mil a mais do que a primeira proposta de R$ 1,3 milhão levou, embora nas mesmas condições do primeiro: depositando R$ 600 mil em juízo e o restante abatido em quatro prestações.
Porque a Samt apresentou
empresa compradora?
Mas há que se considerar que ao oferecer o prédio em penhora, a Samt também apresentou uma empresa interessada na aquisição: a Invest Incorporadora que é uma das empresas que integram a holding da NDDigital. Por que fez isso? Está empresa havia procurado a Samt no início do ano porque pretendia implantar – e nos próximos dias já estará inaugurando – o Instituto Dorvalino Comandolli com o objetivo de atender a área da responsabilidade social. Levando em conta que a empresa hoje atua em mais de 20 países é grande a probabilidade de captação de recursos do exterior para aplicar na área. O objetivo deste instituto é justamente atuar na assistência ao idoso e para isso já está até adquirindo um hotel fazenda.
Procurou a Samt porque esta já tinha toda a certificação necessária, pois no ano passado implantou o Centro Dia do Idoso que acabou fechando com o fim do convênio com a prefeitura (Marco Regulatório).
A ideia era que a Samt continuasse atuando, mas com a parceria deste instituto, fornecendo as instalações e recursos para o Centro Dia e usando as instalações do prédio do centro para os demais projetos.
Mas, tão logo foi concluída a ação de indenização dos funcionários, apareceram dois outros compradores e foi rapidamente vendido sem que fosse levado a leilão.
Só 13 funcionários receberam
R$ 650 mil de indenização
Mas o pior é que o projeto foi por terra e a Samt ainda não conseguirá saldar sua dívida inicialmente prevista em R$ 1 milhão. Isso porque, a indenização de apenas 13 funcionários, que tinham uma média salarial de R$ 1.200,00, calculada em R$ 191 mil, acabou sendo aprovada pela Justiça do Trabalho no valor de R$ 690 mil. Como saltou de R$ 191 mil para R$ 650 mil é o milagre da multiplicação.
Existem pelo menos mais
46 ações trabalhistas
O valor depositado em juízo pela empresa que adquiriu o imóvel não cobre nem este valor. Que dirá toda a dívida. Somam-se aí os outros 46 processos trabalhistas que ainda estão tramitando e mais 26 outros, se os funcionários que ainda estão atuando na Samt decidirem entrar na justiça.
Prefeitura tenta agora anular doação
junto a Vara da Fazenda
O prefeito Antônio Ceron, já tinha alertado para o fato do prédio cair em mãos de particulares, a razão da tentativa de embargo. Tanto que poucos dias após, a prefeitura protocolou outra ação, agora na Vara da Fazenda, para requerer a nulidade da doação do patrimônio da Samt na tentativa de reverter o processo. Agora lhe foi dado 15 dias para apresentar a documentação e argumentação, portanto não se sabe exatamente no que tudo isso resultará.
Mas, além de nebuloso há muita coisa que se deu ao longo do processo, que precisaria ser melhor explicado.