
A preparação de Lages para enfrentar o período mais agudo do fenômeno El Niño ganhou uma forte costura institucional com a classe empresarial. Em apresentação na diretoria da Associação Empresarial (ACIL), o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil, Sargento Ribeiro, anunciou que tanto a ACIL quanto a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) foram oficialmente integradas ao Grupo de Ações Coordenadas (GRAC), o comitê intersetorial que gerencia desastres e emergências no município.
A blindagem do comércio e da indústria local tornou-se prioridade diante dos relatórios meteorológicos. O pico do fenômeno climático é aguardado entre setembro e novembro, trazendo um volume expressivo de chuvas para o Sul do país. O monitoramento ganhou contornos de urgência devido a um fator geográfico sensível: a proximidade do Planalto Serrano com o chamado “corredor de tornados”, o que exige um estado de alerta permanente para eventos de vento extremo e granizo.
Atualmente, o município monitora 66 pontos críticos com risco iminente de alagamentos e deslizamentos. Para mitigar o problema, frentes de trabalho atuam na desobstrução de encostas e na limpeza de córregos, embora esbarrem no crônico descarte ilegal de lixo pela população — apontado pela prefeitura como um dos grandes vilões das cheias urbanas.
No campo estrutural, a grande aposta financeira da administração municipal é o lançamento de uma licitação de R$ 10 milhões focada exclusivamente em obras de contenção, drenagem e limpeza do Rio Carahá, a principal calha escoadora do perímetro urbano. O investimento será complementado pela implantação de uma estação hidrometeorológica própria. A estrutura vai gerar dados locais integrados em tempo real com órgãos de inteligência climática, como o Cemaden e a Epagri/Ciram, permitindo que o comércio e os moradores das áreas ribeirinhas recebam alertas antecipados e organizados antes que a água suba.
