Nota oficial da Associação Médica Brasileira (AMB)

….sobre os resultados do Enamed 2025 e a qualidade da formação médica no Brasil

O exame, que mede o desempenho dos estudantes e a qualidade dos cursos de Medicina no país, revela um cenário alarmante, que exige respostas firmes e responsáveis por parte das instituições de ensino e das autoridades regulatórias.

Após a divulgação dos resultados do Enamed 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), a Associação Médica Brasileira (AMB) vem a público demonstrar sua extrema preocupação com os números que foram apresentados, que revelam uma realidade gravíssima na formação médica do país.

O exame, que mede o desempenho dos estudantes e a qualidade dos cursos de Medicina no país, revela um cenário alarmante, que exige respostas firmes e responsáveis por parte das instituições de ensino e das autoridades regulatórias.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), da Saúde e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).  Acreditamos que esta avaliação vem em bom tempo para nos mostrar objetivamente a realidade do ensino de graduação médica em nosso país.

Foram avaliados 351 cursos de Medicina. Desse total, 99 cursos sob regulação federal obtiveram conceitos 1 ou 2, faixas consideradas insatisfatórias pelo Inep. Embora 67,1% dos cursos estejam entre conceitos 3 e 5, a presença de 32,6% de cursos com desempenho abaixo do mínimo aceitável segue preocupante. Entre os 39.258 estudantes concluintes avaliados, apenas 67% demonstraram proficiência adequada, enquanto cerca de 13 mil alunos não atingiram o nível esperado para o exercício seguro da Medicina.

Os cursos de medicina no Brasil são terminais. Ou seja, quando o aluno conclui o curso de graduação, ele recebe o diploma de formado em medicina. Com base neste certificado, vai ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do seu estado, obtém o seu registro profissional e o seu número de inscrição no CRM. Uma vez portador desta documentação, está legalmente habilitado para atender pacientes e exercer a medicina em nosso país.

Nestas circunstâncias, equivale dizer que esses 13.000 médicos apontados pelo Enamed como não proficientes podem, de acordo com a legislação atual, atender pacientes em nosso país. Isso nos permite afirmar, sem sombra de dúvidas, que a nossa população atendida por esse contingente de médicos não proficientes ficará exposta há um risco incalculável de má prática médica.

Esses números apontam claramente para a necessidade de instituirmos o mais breve possível exame de proficiência médica como um pré-requisito para o exercício da medicina. Sendo mais claro, não comprovada a proficiência médica pelos egressos dos cursos de medicina, não lhes seria concedido o registro profissional pelos CRM, impedindo-os, desta forma, de atender pacientes.

 

Esta seria uma ação muito bem-vinda em direção a proteção e segurança dos pacientes. Esta não é uma medida contra o egresso de medicina. É uma medida com finalidade voltada única e exclusivamente à boa prática da medicina e a segurança dos pacientes.

Os dados do Enamed também evidenciam uma forte assimetria na formação médica no Brasil. Universidades públicas federais e estaduais concentram mais de 84% de seus cursos nas faixas de excelência, enquanto os piores resultados ocorrem principalmente em instituições municipais e privadas com fins lucrativos.

Estes achados reforçam alertas históricos da AMB sobre os riscos da expansão desordenada de escolas médicas, muitas vezes abertas sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado ou condições mínimas para a formação segura de novos médicos, nem residência médica.

O Ministério da Educação anunciou, na direção correta, sanções para as instituições avaliadas com desempenho insuficiente, incluindo suspensão total de ingresso, redução do número de vagas e restrição de acesso a programas federais como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). As instituições terão 30 dias para apresentar defesa e as penalidades permanecerão em vigor até o próximo Enamed, previsto para outubro de 2026.

Consideramos essas medidas necessárias para proteger a população e garantir padrões mínimos de qualidade no ensino médico e reforça que o Enamed representa um avanço importante para o país ao oferecer um diagnóstico objetivo da formação médica e ao fortalecer a transparência na avaliação das instituições.

Porém alertamos que a questão central não é ampliar indiscriminadamente o número de vagas, mas assegurar que cada futuro médico tenha formação adequada, sólida e compatível com as demandas reais do sistema de saúde. Não se trata de formar mais médicos, mas de formar bons médicos, preparados para atuar no SUS e para responder às necessidades da população brasileira.

A Associação Médica Brasileira reitera seu compromisso permanente com a educação médica de qualidade e com a proteção da sociedade.

Continuaremos trabalhando junto ao MEC, ao Ministério da Saúde, ao Conselho Federal de Medicina, ao Conselho Nacional de Educação e aos órgãos reguladores para aprimorar as diretrizes curriculares, fortalecer os estágios e o internato e estabelecer critérios rigorosos para abertura de novos cursos e ampliação de vagas.

O país precisa de uma política nacional de formação médica pautada pelo rigor acadêmico, pela responsabilidade social e pelo compromisso com a segurança do paciente.

César Eduardo Fernandes
Presidente
Associação Médica Brasileira (AMB)

13 comentários em “Nota oficial da Associação Médica Brasileira (AMB)”

  1. Reserva de mercado. Faltam engenheiros no Brasil. Pesquisa de uma instituição Paulista aportou que até 2040 haverá apagão de professores. As ditas profissões ditas de elite são perseguidas em um país que paga baixos salários. O jovem quer muitas vzs grana na conta e as faculdades querem faturar. Enquanto não há saturação do mercado. Hj de manhã assistindo TV em SP um enfermeiro e mais duas enfermeiras firam presos suspeitos de assassinar 3 pacientes com injeção na veia. Da de tudo no Brasil não tem área isenta de problemas.

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  2. A nossa UNIPLAC foi a melhor colocada de SC, ficou a frente da UNIVALI e também da UFSC que está tomada por esquerdistas.

    Temos que nos orgulhar!

    Obrigado Jorginho Mello por destinar muitas bolsas da universidade gratuita para os melhores futuros médicos de SC

    VamlQvamo

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  3. Estudei e formei na Uniplac, sei da capacidade da instituição . Conheci muitos professores competentes como: Coruja, Litney, Ana Renon, Prof. Mário, Danusa, Maurício e tantos outros. É uma conquista inesquecível. A Uniplac, hj Universidade, passou por uma turbulência econômica a época, todavia superou. Um dos poucos símbolos de sucesso do lageano que permanece em pé. Temo políticos que nunca tiveram a “humildade” de tirar um Curso Superior, mesmo quando ganham um bom dinheiro. Não voto e nunca votarei em candidatos assim. Estudar é “missão, sacerdócio”, pra poucos. Trata-se de uma experiência ímpar, quie capacita o cidadão para não ser irresponsável, principalmente c/ a vida, os negócios, o trabalho, o presente, e o futuro das outras pessoas. Resumindo estudar é um gesto de cidadania e cristão tbm.

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  4. Isso não precisa nem de exames para avaliar a péssima qualidade dos médicos. Eles não conseguem detectar nem os sintomas de um infarto na UPA de Lages e os plantonistas lá foram acadêmicos da UNIPLAC. Passa o dia inteiro morrendo numa cadeira tomando soro aplicados em todos e o paciente é a médica não libera internamento de urgência nem com orientação de um profissional mais qualificado do que a médica plantonistas. A coitada é tão burra que virou Chacota dos colegas. Precisou mudar o plantão para a outra médica ver que o paciente já estava infartando que por muita sorte a outra transferio com urgência para UTI CARDÍACA. Só você ir na UPA e passar pelos analfabetos de Plantão saído da UNIPLAC para você ver com seu olhos se não acredita. Hoje em dia médicos (as) te cumprimentar te examinar nem pensar quando muito olha os exames isso é quando sabe interpretar. Na unidade Pacheco próximo ao pronto socorro eu fui consultar o cardiologista atendeu um sala de espera lotado não deu uma hora. Chamava o paciente e já saia até falei para outro paciente nossa que rapidez porque é uma coisa benzida. Mais a Vita não é diferente a médica nem levanta pra te examinar eu não sei se isso agora é a rotina das faculdades. Se for no particular em dinheiro ou no Pix até cumprimenta mais não examina no retorno como você não vai pagar o atendimento já é pior. E se for ver tem muitos filhos de médicos fazendo medicina. Eles não sabem nada tudo depende de exames isso quando o exame é bem feito e o médico sabe ler o resultado. É triste mais é isso e a tendência é piorar. Olha o Câncer quanto mais se estuda mais rápido ele mata. Se pelo menos te desse um atendimento humanizado já estaria melhor vamos morrer mesmo com os burros ou não.

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  5. Com todo respeito aos bons médicos, mas na UPA é perigoso, trataram meu pai de congestao intestinal e era EMBOLIA PULMONAR. Como os sintomas pioraram, levamos na Vita, fez RM e claro, tivemos que pagar tudo. Por pouco ele não morreu.

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  6. A situação é crítica na formação de médicos, e essas notas medíocres que as instituições do nosso estado receberam não são motivo algum de comemoração ou orgulho no meu ponto de vista e sim de reflexão, basta trabalhar, ou mesmo ter contato com a área de saúde e os senhores poderão constatar in loco que a situação é crítica tanto no conhecimento prático quanto na postura daqueles profissionais que estão saindo da faculdade ultimamente e constatar que essas notas não refletem nem conhecimento prático e nem postura adequada e infelizmente é a real. O que precisa é existir algum tipo de validação anual na área médica tanto para o conhecimento técnico quanto para a postura, enfim aqueles que trabalham na área da saúde em nossa cidade podem confirmar todas as minhas palavras…

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    • Notas medíocres?
      Conceitos são de 1 a 5
      Temos 17 faculdades de medicina em SC
      15 tiveram conceitos 3 e 4
      Comparando com outros estados, principalmente do nordeste, estamos muito bem posicionados.

      Com base em que você afirma que não devemos comemorar?
      Foi o primeiro exame nacional desse tipo, a Uniplac (conceito 4) e a Univali ficaram a frente da UFSC, com isso, temos que nos orgulhar sim.

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      • Médiocre se refere a mediana. Não tivemos uma nota 5 no estado, nem sequer a federal atingiu tal nota, é para comemorarmos notas 4 como se fossem 5? Claro comparado com notas 1 e 2 é melhor, mas ca estamos falando da saúde, deveríamos ter muito mais notas 5

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      • Ze, da uma olhadinha nas notas dos estados do Nordeste, a nota menor foi 4, sua maioria 5. Sugiro dar uma pesquisada no IDEB deles… Fica a dica antes de “achar” que tudo que é ruim ocorre no Nordeste

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