ND publicou: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC

Considerada a maior investigação contra a corrupção em SC, Operação Mensageiro prendeu 17 prefeitos; levantamento exclusivo do ND Mais mostra o que mudou nas cidades e o redesenho pós-eleições.

Cinco fases, 50 presos, incluindo 17 prefeitos e três vices. A Operação Mensageiro, que investiga o maior esquema de corrupção da história do poder público de Santa Catarina, trouxe à tona uma realidade que era pouco conhecida no estado: o desvio sistemático de verbas milionárias em prefeituras. Dois anos, três meses e 25 dias depois, a população das cidades investigadas colhe o legado da investigação.

A Operação Mensageiro investiga os crimes de superfaturamento de serviços de coleta e destinação de lixo, além do pagamento de propina a agentes públicos em troca de facilitação em licitações. Ainda em andamento, os processos da operação tramitam no TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina).

Os primeiros fatos que deram origem à investigação foram revelados em 2021, durante a Operação Et Pater Filium, que apurou outro grande esquema de corrupção no Planalto Norte catarinense. Dentre eles, fraudes a licitações e recebimento de propina proveniente do Grupo Serrana Engenharia, que também atuava em outras cidades catarinenses.

O Grupo Serrana, que mudou seu nome para Versa Engenharia Ambiental após o início da operação, atua nos setores de coleta e destinação de lixo, de abastecimento de água e de iluminação pública em diversas regiões de Santa Catarina e em outros estados do país. A partir das investigações dos contratos com a Serrana, chegou-se às prefeituras suspeitas de participarem das irregularidades, iniciando-se a Operação Mensageiro

O nome da operação deriva de um empresário, um dos primeiros presos. Segundo a investigação, ele atuava com o codinome “mensageiro” e seria o responsável por entregar a propina da empresa Serrana Engenharia aos agentes públicos envolvidos. As investigações apontam que o esquema começou em 2014.

  • Nota da redação: por decisão judicial, o nome do “mensageiro” não pode ser divulgado. 

A operação é conduzida pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), através do Geac (Grupo Especial Anticorrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Científica.

Os números da Operação Mensageiro

Números da Operação Mensageiro até março de 2025 – Foto: Arte/ND

Os prefeitos presos

  1. Deyvisonn da Silva de Souza – Prefeito de Pescaria Brava (MDB)​
  2. Luiz Henrique Saliba – Prefeito de Papanduva (PP)​
  3. Antônio Rodrigues – Prefeito de Balneário Barra do Sul (PP)​
  4. Marlon Neuber – Prefeito de Itapoá (PL)​
  5. Vicente Corrêa Costa – Prefeito de Capivari de Baixo (PL)​
  6. Antônio Ceron – Prefeito de Lages (PSD)​
  7. Joares Ponticelli – Prefeito de Tubarão (PP)​
  8. Luiz Carlos Tamanini – Prefeito de Corupá (MDB)​
  9. Adriano Poffo – Prefeito de Ibirama (MDB)
  10. Adilson Lisczkovski – Prefeito de Major Vieira (Patriota)​
  11. Armindo Sesar Tassi – Prefeito de Massaranduba (MDB)​
  12. Patrick Corrêa – Prefeito de Imaruí (Republicanos)​
  13. Luiz Shimoguiri – Prefeito de Três Barras (PSD)​
  14. Alfredo Cezar Dreher – Prefeito de Bela Vista do Toldo (Podemos)​
  15. Felipe Voigt – Prefeito de Schroeder (MDB)
  16. Luís Antônio Chiodini – Prefeito de Guaramirim (PP)​
  17. Clézio José Fortunato – Prefeito de São João do Itaperiú (MDB)

As fases da Operação Mensageiro

Primeira fase (6 de dezembro de 2022):

  • 4 prefeitos presos
  • 1 vice-prefeito preso

Segunda fase (2 de fevereiro de 2023):

  • 2 prefeitos presos

Terceira fase (14 de fevereiro de 2023):

  • 1 prefeito preso
  • 1 vice-prefeito preso

Quarta fase (27 de abril de 2023):

  • 9 prefeitos presos

Quinta fase (29 de abril de 2024):

  • 1 prefeito preso
  • 1 vice-prefeito preso
  • O retorno do dinheiro que foi para a corrupção

    Segundo o MPSC, os municípios lesados receberão o valor total de indenização pelos danos sofridos, acrescido do ressarcmento pelo dano extrapatrimonial. O montante é fixado pelas decisões condenatórias, com a maioria delas ainda em andamento.

    Das cinco condenações feitas até o momento, os valores já ressarcidos chegam a quase R$ 4,5 milhões. Ainda, os agentes públicos e privados que fizeram colaboração premiada na Operação Mensageiro comprometeram-se a ressarcir integralmente o dano patrimonial causado aos municípios, além de um valor extra para reparar o dano extrapatrimonial.

    O MPSC informou que, como há parte da investigação em curso, o valor total assegurado ainda não pode ser divulgado. No entanto, o órgão garantiu que alguns delatores já pagaram e outros estão pagando de forma parcelada. O montante já depositado por eles ultrapassa R$ 11,3 milhões, que deverão ser devolvidos aos municípios.

  • Para o procurador-geral de Justiça, Fábio de Souza Trajano, que chefia o MPSC, a descoberta de um esquema de corrupção que existia há mais de dez anos trouxe “prejuízos incalculáveis” para a população catarinense. Contudo, a Mensageiro mostrou que há punição para a corrupção.

    “Mas também resultou em consequências para os integrantes da organização criminosa, como a exposição pública, prisões preventivas e condenações judiciais. Isso demonstra que houve punição para os malfeitos, algo raro em nosso país”, avalia Trajano ao ND Mais.

Alinhamento com instituições

O procurador-geral também destaca que a Operação Mensageiro fortaleceu a relação entre as instituições que trabalham nas investigações. Além do próprio MPSC, o GEAC, o GAECO, a Polícia Científica e o Poder Judiciário têm atuação.

“O Ministério Público, como órgão de Estado autônomo e independente, liderou esse processo, fornecendo todas as condições materiais para o funcionamento da força-tarefa. No entanto, é importante ressaltar que apenas com a cooperação interinstitucional foi possível alcançar tantos resultados positivos”, destaca.

Com a Mensageiro, para Trajano, o combate à corrupção deve ser tratado como “uma verdadeira política de Estado”, aplicando a legislação penal também aos criminosos de colarinho branco.

“Não podemos aceitar como natural a utilização de mandato popular para enriquecimento ilícito, nem que empresários obtenham lucros elevando artificialmente os preços ou deixando de prestar o serviço contratado, afastando da licitação empreendedores honestos que não participam deste jogo espúrio”, dispara.

Como a Operação Mensageiro mudou a fiscalização de contratos das prefeituras?

Ao todo, 19 cidades foram investigadas nas cinco fases da Operação Mensageiro. Um levantamento exclusivo do ND Mais mostra o impacto da investigação na fiscalização de contratos de limpeza urbana nas cidades.

Dois anos depois da primeira fase, a Mensageiro mostra que houve a transformação na maneira como as prefeituras lidam com os contratos de licitações

Lages presenciou uma das maiores mudanças eleitorais, possivelmente relacionadas à Operação Mensageiro. A cidade, que teve o ex-prefeito Antônio Ceron (PSD) preso, concedeu apenas 17,78% dos votos válidos ao candidato Lio Marin (União Brasil), da coligação “Para Uma Nova Lages, Diga Sim”, da qual o PSD fazia parte. A prefeita eleita, Carmen Zanotto (Cidadania), obteve 77,16% dos votos válidos.

 

 

4 comentários em “ND publicou: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC”

  1. Hoje,amarga ter um vice batedor de Mulher..
    Essa foi a mudança..
    Quem se dizia combatente da corrupção, tornou se pior.
    Lages nas primeiras páginas .
    Uma prefeita conivente, uma câmara de vereadores, sem ação..
    O sujeito, recebendo sem trabalhar..
    A prefeita é tão boa que nomeou assessor de assessor para o vice..
    A vida dele continua normal, desse jeito..
    Ou será que estão pagando assessor para assessorar quem!

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  2. Bastante barulho.
    Torcemos por uma plena elucidação e um notável aumento na população carcerária
    Fez, tem que pagar.
    Traje laranja nos malandros que querem viver na boa vida, desviando o dinheiro do povo.
    É considerável o desvio.

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  3. Muito marketing pessoal desse Trajano…muito marketing institucional…quem carrega o piano e possibilita a propaganda, e perseguido e paga antes de um politico pequeno desses realmente pagar por algo. É so perceber que as investigações são sempre enternas, ja foram presos, ja foram soltos… mas ainda estao “investigando” e ainda estao em alguma “fase”.

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