Na vida, às vezes, é preciso dar um passo para trás para poder avançar. É isso que a prefeita Carmen Zanotto está fazendo em relação a Festa Nacional do Pinhão. E muita gente está à criticando por ter coragem e querer passar à limpo, uma festa que nos últimos anos vinha dando sinais de fracasso.
Na década de 1970, surgiu a ideia da Festa do Pinhão. Um evento organizado essencialmente, pela prefeitura. Mas foi somente em 1987 que começou a sair de fato do papel. Naquele momento eram apenas pratos típicos salgados, doces caseiros e bebidas, paçoca de pinhão, entrevero de pinhão, quentão e ponche, servidos num evento no Parque de Exposições.
As atrações e apresentações nativistas, bailes, torneio de laço, cavalgadas, concursos, trovas e missa campeira (crioula), sempre puxaram o evento. Em 1990, aconteceu a segunda edição da festa, com eleição de rainha e princesas. O apelo para a festa vinha sempre das entidades, especialmente, dos CTG`s.
O evento cresceu na esteira do tradicionalismo e da cultura gaúcha. Festivais e apresentações musicais, bailes, concursos de vitrine, de maior pinha, de cerveja na cuia, gineteadas, danças gaúchas e outros, até que nasceu a “Sapecada da Canção Nativa” e a “Sapecada da Serra Catarinense”. E por último, o Recanto do Pinhão”.
Os shows nacionais e até internacionais, foram incorporados ao longo dos anos. Mas é chegada hora de rever, como e porque a festa continua nesse formato. Precisou a cidade ter uma prefeita, mulher de coragem para dizer basta. Chega de mais do mesmo!
Carmen Zanotto acordou e já adiantou que, não vai querer continuar com esse sistema falido, caro e dispendioso de festa.
Até quando a cidade vai ficar refém da Associação Rural de Lages? Nada, absolutamente, nada contra a associação rural. Mas se a prefeita não romper o “cordão umbilical” com a associação rural, jamais a cidade terá um Centro de Eventos próprio. Como nenhuma empresa quer assumir a festa, a oportunidade é das entidades de classe, tradicionalistas, associações e sociedade civil se posicionarem.
Resgatar o que ser perdeu da festa é importante a partir de agora. Não se concebe mais, uma festa em que o lageano fica no lado de fora dos portões. A coragem da prefeita, o desfio e ao mesmo tempo, risco de ser rechaçada pelos críticos de plantão é grande. Mas, é ainda maior, a atitude de grandeza que está tendo.
A festa sem a identidade regional, nossas raízes, nossa cultura e nossa hospitalidade, não é festa. Não tema prefeita, a população está ao seu lado e não tenha vergonha de bater no peito e dizer, sou lageana, por isso, a festa respeitará nossas raízes, nossa essência!
Oneris Lopes
Jornalista






