Marin diz que foi traído “por gente acostumada a fazer sacanagem”

Trecho da entrevista realizada pela jornalista Cláudia Pavão, do Correio Lageano, com o vereador Luiz Marin, do Progressista:

E falando em partido e candidatura, nas últimas eleições o senhor foi, de certa forma, preterido, pois seria candidato a vice, talvez a prefeito, pelo PP, e acabou sendo substituído pelo Juliano Polese, vice-prefeito de Lages, e a deputado estadual da mesma forma. Como senhor vê essa situação?

Olha, essa questão é normal para mim, pela minha boa índole, sou uma pessoa do bem, não brigo com ninguém, nunca briguei por cargos, sempre fiquei quieto, tranquilo e sempre fui convidado, como já falei. Saí candidato na época, a convite do PP, mas achamos por bem, até atendendo a pedidos da comunidade lageana, Acil, CDL, e outros, que não deveriam sair dois candidatos a deputado federal, e eu, com toda a grandeza, abri mão para a Carmen [Zanotto, deputada federal], fui lá na CDL, li a minha carta de ‘saída da candidatura’. E estava com tudo pronto, até propagandas, mas em nome de Lages e da nossa cidade ter uma deputada, abri mão. Da mesma forma, quando foi para sair candidato a prefeito, daí foi para vice, na época do Renatinho, eles trabalharam ali e colocaram a Sirlei [Rodrigues, candidata a vice de Antonio Ceron, em 2012]. Mas nada me afetou, perderam a eleição. Desta feita, foi a mesma coisa, era para ser candidato, o Juliano [Polese] queria ser, simplesmente abri mão, não tem problema porque não vivo da política e não morro pela política, morro pelo povo. Ele foi candidato e eu caí fora. Então, seria candidato a deputado federal, estava certo, novamente, quando cheguei a Florianópolis, para minha surpresa, chegou o ‘seu’ Juliano Polese [para concorrer a] deputado federal. Me surpreendi e sabe o que fiz? Virei as costas, deixei a reunião, e fui para [Balneário] Camboriú, lógico, fui viver a minha vida. Até para esfriar a minha cabeça, porque essa sacanagem não se faz, esse é um recado que dou.

O senhor se sentiu traído?

Traído e meio, porque não se faz isso com companheiro, mas é que a vida vai nos ensinado, e tem um ditado popular que diz ‘a raposa tanto vai ao ninho até que um dia deixa o focinho’, pode ver que acontece com muitos, são acostumados a só fazer sacanagem, só passar rasteira nos outros, mas um dia encontram a porteira fechada. Eu sempre fui de boa paz, fui sempre do bem, não me preocupei, nem me abalei, por isso, estou forte e firme, sem intriga nenhuma. Sempre tem alguém que não gosta da gente, mas a maioria, onde eu vou, nos bairros, sou bem recebido.

O prefeito Antonio Ceron já manifestou a possibilidade de ir a reeleição, que a princípio, não iria, se ele confirmar essa candidatura, o senhor acredita que o PP permanece na coligação com o PSD?  

É uma pergunta difícil de responder porque o prefeito Ceron sempre falava que ia uma vez [candidatura a prefeito] e não ia mais. Até dizia para ele, depois de sentar naquela cadeira, nunca vi a pessoa desistir, não fale que não vai à reeleição. É aquela vontade, muitas vezes, de terminar alguma coisa que ficou. E, depois, logicamente, todo mundo quer estar no poder, coisa que nunca me fascinou. Mas ele [o poder] é muito bom se você souber usar. Quando você está no poder é ótimo, acredito que vai à reeleição, logicamente, a reeleição para ele é um pouco mais fácil, porque já sai com percentual da Prefeitura, de votação. Agora, é muito perigoso, também, haja vista o que aconteceu nas últimas eleições, o povo queria mudança, coisa diferente e surpreendeu o Brasil inteiro, especialmente, aqui em Santa Catarina. O governador [de Santa Catarina, Carlos] Moisés, era um desconhecido.

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