Relatos de um mototurista

Um pitaco nessa questão do turismo serrano. Sou mototurista, amo viajar de moto. Semana passada fiz uma rota de, no total, 1.400 km. Meu objetivo? Fazer a Rota Rastro da Serpente, que liga Curitiba/PR a Capão Bonito/SP. Capão Bonito não é uma cidade turística, não tem atrativos naturais, como nossa região. Lá o único ponto turístico é uma placa, fixada numa grade, em que, no dia em que eu estava lá, mais uns 20 motociclistas, de diversos pontos do Brasil todo, tiraram fotos. Depois? Depois foram para os hoteis, para os restaurantes, foram gastar dinheiro lá na cidade. Os hoteis são, em sua maioria, ruins, não te oferecem muita coisa, mas estavam bem ocupados. Mas por quê tudo isso? Por que alguém resolveu vender a ideia de que a rota é bonita, e se transformou numa “Meca” para os mototuristas. Outro exemplo ali perto? A placa que demarca o início da “Serra da Macaca”, em SP. Mesma coisa, fila para tirar foto na placa, gente vindo da BA, do RJ, para tirar foto ali e tomar um suco no bar ao lado. Aqui em nossa região temos a “maior Meca” de todo mototurista: A Serra do Rio do Rastro. SE um dia o Governo do Estado resolver terminar a Serra do Corvo Branco, será a “segunda maior Meca” dos mototuristas! Se for criado um monumento qualquer, uma placa qualquer aqui, vira uma rota. Mas aí paro para pensar: quantos lageanos já foram na Serra do Rio do Rastro? Quantos correiapintenses conhecem a cidade de Urubici? Quantos campobelenses já visitaram a Villa Francioni em São Joaquim? O turismo começa em casa, começa com a gente mesmo indo conhecer e visitar esses locais, para que, depois, possamos transmitir essas impressões a nossos amigos do grupo do whatss, para que eles, futuramente, venham nos visitar e conhecer também esses locais. Falta investimento do poder público? Falta, claro! Mas o poder público, sozinho, não fará isso ocorrer. Enquanto nossos “gigolôs de vacas” não investirem em fazer uma placa sequer, enquanto nosso serrano só viajar uma vez por ano para o litoral, mas sequer saber como chegar em Urupema, continuaremos sentados em cima de um diamante, reclamando que estamos com fome.

Vilmar Tadeu Córdova

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