O fato que deu origem à denúncia do próprio funcionário da prefeitura que trabalhou na propriedade particular do prefeito de Bocaina do Sul, Luiz Schmuler, aconteceu em 2014. A sentença só saiu no início desde mês, cinco anos depois. Quer dizer: aconteceu no segundo ano do primeiro mandato. Ele terminou a gestão e ainda se reelegeu para mais um mandato e, pelo que tudo indica vai terminar mais esta gestão tranquilamente.
Isso porque, dado aos inúmeros recursos a que tem direito, vai protelando o cumprimento da sentença por mais algum tempo. A única maneira de quebrar esta tendência seria o processo político, isto é, o impeachment por parte do legislativo. Foi assim em 2012, em São Joaquim. A Câmara de Vereadores cassou o mandato do prefeito José Nérito de Souza (PSD), porque também foi alvo de ação por compra de pneus; mas foi por denúncia de um eleitor, acusando-o por contratação de empresa de segurança sem licitação que o levou ao impeachment.
O assunto deve ter repercussão na Câmara de Vereadores de Bocaina. Contudo, em 2014, o atual presidente da Câmara, Joao Tadeu Assink(Jaga), do MDB, era o Secretário de Obras. O funcionário que fez o serviço na propriedade do prefeito usando inclusive maquinário da administração, era seu subordinado. Portanto é muito pouco provável que se instale uma Comissão Parlamentar Processante para dar andamento ao impeachment se depender do presidente.
Uma cidade pequena onde todos se conhecem e têm relação de amizade e até parentesco, os vereadores ficam temerosos em se responsabilizar pela cassação do prefeito. A oposição tem maioria na Câmara, cinco dos nove vereadores. Mas uma das vereadoras da oposição (Leujane -PSDB) é cunhada do prefeito. Aqui a relação familiar pode falar mais alto.
Tanto que os vereadores da oposição falam na possibilidade de abertura de uma CPI para apurar as irregularidades. Isso a Justiça constatou a culpabilidade e o condenou até a perda do cargo. Pura perda de tempo. Só está ainda como prefeito porque tem a possibilidade dos recursos. Constatada a prática da improbidade administrativa, o que teria de proceder agora seria a instalação da CPP – Comissão Parlamentar Processante para cassar seu mandato.