Não sabia que tínhamos um sítio arqueológico aqui mesmo na área urbana de Lages

Durante os dias 10 e 11 deste mês de junho, a cidade de Lages recebeu a visita técnica de um representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que esteve no município para fiscalizar o estado de conservação e preservação de sítios arqueológicos importantes.

A inspeção teve foco em duas áreas de grande relevância histórica e cultural: o bairro Passo Fundo, no núcleo urbano da cidade, e a localidade de Coxilha Rica, especificamente na região conhecida como Passo de Santa Vitória, tombado como patrimônio histórico de Lages.

Os bens de natureza arqueológica são considerados patrimônios da Nação, em conformidade com a Constituição Federal de 1988 e são protegidos e definidos pela Lei Federal 3.924 de 1961, possuindo uma importância singular para o entendimento das primeiras ocupações humanas na região sul do Brasil.

No bairro Passo Fundo, escavações arqueológicas anteriores revelaram ocupações de aproximadamente 600 anos antes do presente, resultado confirmado por análises laboratoriais realizadas com partículas do solo.

O principal achado refere-se às chamadas estruturas monticulares, também conhecidas como montículos, que são formações elevadas feitas artificialmente por antigos povos indígenas. Esses montículos, muitas vezes confundidos com pequenas colinas naturais, eram usados para fins funerários. Segundo especialistas, trata-se de uma herança direta dos povos originários da região, do tronco linguístico Proto-Jê, Kaingang e Xokleng, primeiros habitantes da região serrana de Santa Catarina.

No Passo de Santa Vitória, na Coxilha Rica, existem vestígios do Ciclo das Tropas, especialmente os corredores de taipa (muros de pedra).

A vistoria foi acompanhada por representantes da Fundação Cultural de Lages (FCL), que reafirma o compromisso do município com a proteção do patrimônio histórico. A arquiteta Gessica Coelho, responsável pelo setor de patrimônio cultural da FCL, acompanhou os trabalhos técnicos e destacou a relevância de ações permanentes de preservação. “Cada estrutura identificada carrega parte da nossa história ancestral. Preservar-las é respeitar a memória dos povos originários e educar as futuras gerações”, declarou.

Outra ação importante em andamento é a reativação do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac), órgão responsável pela análise, tombamento e monitoramento dos bens culturais da cidade.

3 comentários em “Não sabia que tínhamos um sítio arqueológico aqui mesmo na área urbana de Lages”

    • Bom dia, uma informação que julgo procedente , em especial a sua Tchênofobia , os Australopithecus habitaram a África, jamais as Américas.

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