
O Governo de SC abriu oficialmente a corrida para o maior programa estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do país. Coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), o programa Mais Verde vai destinar R$ 70 milhões para remunerar pequenos produtores rurais que conservam a vegetação nativa dentro de suas propriedades. O edital, lançado pelo governador Jorginho Mello, tenta consolidar a transição do estado rumo à economia verde, aliando proteção e renda no campo.
A engenharia financeira do programa fixa um repasse único baseado na área preservada (entre 1 e 10 hectares), com teto inicial de R$ 5,4 mil por agricultor. Contudo, o teto pode atingir R$ 7,5 mil por meio de gatilhos de bonificação. Para se qualificar, o colono precisa ter imóvel de até quatro módulos fiscais, registro ativo no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e comprovar que mantém, no mínimo, 40% da propriedade com cobertura vegetal nativa intocada. O Estado projeta alcançar até 20 mil estabelecimentos rurais, gerando impacto ambiental direto em 100 mil hectares de florestas.
Para a Serra Catarinense, as regras de corte trazem excelentes perspectivas. Como os critérios técnicos de priorização de recursos levam em conta o IDH invertido, a recorrência de secas e áreas de alta relevância ecológica, o Planalto Serrano entra no topo da lista. O edital prevê bônus extras para propriedades com produção orgânica certificada, Reservas Particulares (RPPN) e para imóveis inseridos no Plano de Ação Territorial do Planalto Sul (PAT Planalto Sul).
As inscrições abrem no dia 15 de junho e seguem até 13 de setembro, operadas diretamente pelo sistema do CAR Digital (car.sc.gov.br). A costura institucional do projeto, estruturada com a participação da Secretaria de Agricultura, Instituto do Meio Ambiente (IMA) e Polícia Militar Ambiental, foi desenhada sob o amparo da nova Política Estadual de PSA (Lei nº 19.677/2025), garantindo segurança jurídica para o bolso do produtor e para a preservação das bacias hídricas da região.