Operação Mensageiro: MPSC firma acordos com investigados para ressarcir mais de R$ 8 milhões ao município de Lages

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) firmou os primeiros acordos de não persecução cível (ANPC) e de leniência na Operação Mensageiro. Com os acordos, firmados com a empresa e nove pessoas físicas ligadas a ela, envolvidos no esquema criminoso, o Município de Lages deverá ser ressarcido em R$ 8.105.435,39. Os acordos não alcançam os agentes públicos investigados, contra os quais foi ajuizada ação cível por ato de improbidade administrativa nesta quinta-feira (18/3). 

Participaram do ato de assinatura os Promotores de Justiça Juliana Degraf Mendes e Renato Maia de Faria, que integram a força-tarefa da Operação Mensageiro instituída pela Procuradoria-Geral de Justiça, o Promotor de Justiça titular da 5ª Promotoria de Justiça de Lages, Jean Pierre Campos, a Prefeita Municipal de Lages, a Procuradora-Geral, a Auditora-Geral do Município de Lages e a Diretora-Presidente da SEMASA, além da empresa e pessoas físicas investigadas. Os acordos seguem para homologação do Conselho Superior do Ministério Público e, em seguida, do Poder Judiciário.  

Para os Promotores de Justiça da força-tarefa, “a devolução dos valores desviados aos cofres públicos marca um resultado concreto e significativo no enfrentamento à corrupção. Mais do que a conclusão de um processo investigativo, esse desfecho representa a efetiva realização de direitos fundamentais da sociedade. É a prova de que, quando Ministério Público, Judiciário e Executivo atuam de forma integrada e comprometida, é possível transformar apuração em resultado e garantir que os recursos públicos retornem a quem de fato pertencem: o povo”.   

Além de firmar os acordos, nesta semana a 5ª Promotoria de Justiça de Lages ingressou com uma ação de improbidade administrativa contra os agentes públicos de Lages envolvidos nos fatos apurados. Na ação, o Ministério Público aponta que a conduta dos investigados foi dolosa e requer a responsabilização deles nos termos dos artigos 9 º e 11 da Lei n. 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), que preveem como sanções a perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 anos, pagamento de multa civil equivalente ao valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios dele por até 14 anos.  

Ainda, de forma cumulativa, na ação foi requerida a condenação dos agentes públicos ao pagamento de danos morais coletivos, no montante de R$ 3.246.343,48, pela extensão e gravidade das condutas praticadas.

Responsabilização criminal 

Os acordos não afastam a responsabilização criminal de agentes públicos e particulares. Em 2025, pelos fatos investigados em Lages, três ex-agentes políticos – um deles então com prerrogativa de foro – foram condenados por integrar organização criminosa e por corrupção passiva pela 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). As penas foram de nove anos e oito meses de prisão para um e de 24 anos e um mês para cada um dos outros dois. Outras seis pessoas, ligadas ao núcleo empresarial do esquema, foram condenadas pelo crime de corrupção ativa, com penas que variam de sete anos e 10 meses a 12 anos e sete meses de prisão.

A Operação Mensageiro 

A maior operação contra a corrupção já realizada em Santa Catarina completou três anos em dezembro de 2025. Em dezembro de 2022, a Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do MPSC deflagrou a primeira fase da Operação Mensageiro, em uma investigação que contou com a atuação coordenada do GEAC e do GAECO. Em agosto de 2025, a Operação Mensageiro chegou à sua sexta fase, com a prisão preventiva de empresários suspeitos de manter as práticas ilícitas e o cumprimento de medidas de busca e apreensão contra servidores, ex-servidores e agentes políticos.     

Acompanhe essa reportagem sobre o caso:

Vídeo sobre o esquema de propina em Lages

https://www.youtube.com/watch?v=xIUovzRU5YQ

7 comentários em “Operação Mensageiro: MPSC firma acordos com investigados para ressarcir mais de R$ 8 milhões ao município de Lages”

  1. Afinal, quem prometeu que irá pagar o que? Quem ainda não ressarciu, mesmo condenado (condenado em primeira instância = nada)? Quem foi efetivamente condenado com transito em julgado e está devendo? Quem se livrou, absolvido ou por prescrição? O MPSC virou uma organização de publicidade e propaganda e Jornalismo deveria ser mais que serviçal disso.

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  2. Quando Coroné estava administrando tinha gente da impressa que o chamava de doutor. Kkkkk hoje Falam para respeitar a idade gringo ou Coroné. Lembrando que o apelido “Coronel” veio do menino maluquinho quando vereador. Já menino maluquinho foi apelidado por um blogueiro. kkk

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  3. A baronesa (um que se acha jornalista, porém apelidado pelos colegas bobo da corte) deve estar infartando kkk

    Não gosta que chame o Ovo de Ovo e nem o Coroné de Coroné kkkkk

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