Leia a entrevista com o vereador Chagas na íntegra. Diz que a respeito do caso só tem uma coisa: ” que o Vone não poderia participar da licitação. O sócio dele sim!”

Daniel – Quais foram os critérios usados para elaborar o relatório?

Chagas – Primeiro eu ouvi a defesa dele, mais dois advogados e dai vi o que diz o regimento da casa e o regimento do município.

– O que diz a defesa do vereador Vone?

– Diz que foi de emergência, de urgência e então ele participou do pregão com três firmas. Emergência porque a cidade estava um caos naquela época ali. Que não tinha maquinário e não tinha nada. Mormal, normal normal…. Foi convidado a participar do pregão e participou. A outra firma com R$ 115,00 a hora, a outra com R$ 112,00 e pouquinho e ele R$ 87,50 a hora da caçamba e retro.

– Quais foram os valores pagos pelo município?

– R$ 7 mil

– Há informações de que o assessor do vereador Vone também estaria envolvido neste contrato?

– Não. Só entrou a denúncia do vereador Vone. Não existe denúncia contra o assessor.

– Durante este período da relatoria o senhor conversou com o contratante do serviço, no caso, a prefeitura de Lages representada pelo secretário de Agricultura, Osvaldo Uncini?

– Sim. Eu chamei ele para depor, como também o Arruda.

-Quais foram os relatos deles?

– Relataram que, quem fez a contratação de emergência foi o assessor dele, o Polaco. Foi quem contratou o serviço. Foi dentro das normas, tudo certinho. Não teve problema nenhum. Como o Arruda também. O Arruda simplesmente comunicou que: como passa muitos, passa 200 licitações por dia, ele não percebeu esta contratação no nome do Vone.

– E o que fala o secretário Osvaldo Uncini?

– Ele fala que também foi feito o pregão, também não percebeu que – ele não estava na cidade – tinha feito a contratação com o vereador Vone.

– O senhor fala de pregão. Que tipo de pregão foi este?

– Pegão que entraram três firmas.

– Foi feito uma compra direta?

– uma licitação emergencial. Ele ganhou a licitação. Só, a única coisa que eu acho é que o Vone não poderia participar deste pregão.  Em nome dele.  O sócio dele não teria problema nenhum. Mas o vereador Vone participou normal. Fez uma licitação. Participou junto com três firmas. Foi chamado duas firmas. A segunda que negou não quis. A terceira que pegou com R$ 115,00 a hora.

– O que diz a lei a respeito: um vereador pode ou não pode prestar serviço para o município?

– Conforme o artigo 40 da Lei Orgânica do Município, o vereador não pode participar.

– Quais as sanções que a lei prevê para este tipo de ação?

– A lei prevê o seguinte: pode ter uma simples advertência até a cassação que é isso que o Jair está solicitando.

– O vereador Jair nem está pedindo a advertência. Está pedindo direto a cassação?

-Exato.

Como relator, qual é a sua opinião?

-Ontem eu passei para a mesa sobre o mandato do Jair. Solicitei que seguisse a denúncia do Jair. Pare que seguisse em frente. Que daí pode ir até a cassação.

– Mas, o que o senhor sugeriu em seu relatório?

– Não posso falar. É a mesa que vai dizer agora.

– Mas o senhor não entregou o relatório ontem?

– Não. Eu entreguei um simples pedido, este que estou te falando.

– O senhor não tinha de entregar o relatório?

– Não! Porque a mesa primeira tem de aceitar a denúncia. Tem de passar pela mesa. Aceitei a denúncia e passei para a mesa. Agora a mesa é que vai decidir se leva ao plenário ou não. Dai eu vou apresentar o relatório.

– Mas o seu relatório já não está pronto?

– Ainda não. Ei vou chamar mais gente para depor. Eu parei pelo seguinte: não adianta eu continuar a coisa se a mesa não aceitar.

– O senhor como relator do processo não fez o relatório ainda?

– Não, não terminei o relatório ainda. Está semiterminado. Quase terminado. Não posso terminar porque a mesa tem de dizer se aceita ou não aceita. Não adianta eu fazer um relatório se a mesa não aceitar. Todo o trabalho que eu fiz foi porque eu consultei. Eu não sou leigo muito em leis. Consultei pessoas especialistas.

– Quem o senhor consultou?

– Eu consultei um promotor público.

– Consultou o Ministério Público?

– Não, um promotor público. Não posso dizer quem. Só depois eu mostro pessoalmente a vossa excelência o que que ele fala. Porque eu não posso falar nada. Até gostaria de vir na outra semana, porque ai eu poderia abrir total o jogo. O que foi e o que não foi colocado. Não adiante eu colocar uma coisa se a mesa não acatar.

– Explica como vai funcionar a partir de agora: O senhor acatou a denúncia do vereador Jair. O que o senhor encaminhou à mesa?

– Encaminhei a mesa os artigos a que se referem à cassação, a advertência, tudo, conforme os artigos 16 a 18 que nós devemos… que a mesa devia acatar. Pode acatar a denúncia só. Conforme os artigos 1, 2 e 3. Porque eles foram convidados. Olhe bem: não foram convocados para participar… porque nós não podemos convocar. O que nós precisamos é seguir como manda….

– O senhor acredita que isso vai resultar em cassação para o vereador Vone?

– Não sei te dizer porque tenho de terminar o relatório primeiro.

– Mas o relatório já não está quase pronto?

– Mas, eu não posso falar sem a mesa aceitar. A minha opinião hoje não vale nada. Temos de esperar o relatório. Eu não posso falar nada. Até peço desculpa. Não posso falar nada. Eu tenho de seguir a lei. Seguir o regimento.

– O senhor já foi relator em quantos processos na Câmara de Vereadores?

– Em três outros. Do Bugre, da Ainda e do David. No caso do piá dele que estava com o celular da Câmara de Vereadores.

– Naquele caso do vereador David Moro. O filho do vereador David tinha um celular da Câmara que foi apreendido. Inclusive foi caso de polícia. O Sr.  Foi relator deste caso. Qual foi seu relatório na época?

– Meu relatório foi o seguinte: que fosse devolvido o celular para a câmara e as ligações feitas pelo celular- dois mil e 400 e pouquinho – fosse pago pelo David Moro. E ele pagou. E ai foi mandado à promotoria e quem deu a pena para ele foi a promotoria. Não sei dizer qual foi a pena porque não participei. Mas, na Câmara ele teve de pagar.

– Qual foi a punição recomendada pelo senhor?

– Devolver o celular e pagar os R$ 2.400,00. Só! Mais nada porque o piá dele tinha roubado o celular dele e ele não sabia. A promotoria… porque houve uma pena que até hoje o menino está pagando pena. É um caso separado, particular!

– Quais foram os serviços que o vereador Vone prestou na época e qual foi a localidade?

– Salto Caveiras, Santa Terezinha, aquela região toda lá, com máquina, e retroescavadeira e caçamba para abrir bueiro, rio e valeta. Como é feito no mutirão nos bairros.

– Circula uma conversa que o Sr. consultou também um magistrado. É verdade?

– É verdade.

– E qual foi a opinião dele?

– A mesma minha e que não posso falar

– Falando francamente, independente do relatório ou não: acredita em cassação? Todo mundo está dizendo que não vai dar cassação.

– Não sei. Vou esperar o relatório. Assim que meu relatório estiver pronto… Está quase pronto, não preciso mais do que cinco dias para entregar. A gente recebe muita pressão.

– O senhor tem uma assessoria que escreve?

– Tenho. Tem a advogada Talita, o dr. Tiago e o dr. Sandro, da casa E tem um outro advogado da… o meu assessor é advogado também.

– O sr.  Já pode dizer para a comunidade que na segunda-feira vai ter o posicionamento da Câmara?

– Segunda-feira na Câmara.

– Na terça o sr.  Já pode abrir o relatório?

– Até posso abrir o relatório, sim. Pede para cinco dias mas, não vou mais…. não adianta ficar enrolando. Eu tenho uma comigo: se tem de fazer, tem de fazer. Tem de cumprir. E, se não for como eu quero também não adianta a pessoa se envolver. Eu recebo muita pressão, principalmente da comunidade. Estão me ameaçando. Não importa, eu sigo a lei.

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