"Aqui quem fala é Ana Luíza. Queria relatar para você, caso puderes me ajudar, o seguinte acontecimento:
Sou estudante do CAV/UDESC, e na terça feira fui na festa da nona, na pousada Refúgio do Lago. Ao sair da festa com mais duas amigas, as 23h aproximadamente, uma viatura da Polícia Militar que estava indo para o final da rua de barro, para pegar a rodovia, diminui a velocidade. Pensei que eles estavam fazendo somente uma ronda, eu e minha amiga estávamos conversando e andando. De repente a janela de trás da viatura abriu, e do nada saiu um jato, muito perto de nós duas. Eu não pensei na hora, muita gente saiu correndo, mas eu jamais imaginei que seria spray de pimenta. Foi extremamente perto e veio muito no meu rosto. Na hora fiquei sem ar, meus olhos demoraram meia hora pra abrir e ficaram super inchados até ontem (quarta feira). Minha boca queimava e meu rosto ficou vermelho no dia. Demorou mais de duas horas pra passar o efeito todo.
Acabamos pegando um táxi pois eu estava com muita dor. Não havia briga nenhuma no local! Não havia nada, estava todo mundo esperando o ônibus somente. Foi um abuso de autoridade, eles não pararam a viatura, só lançaram o spray em nós e saíram cantando pneu. Aconteceu com mais umas 5 meninas, em locais diferentes da estrada de barro, na saída da festa, e há muitas testemunhas que estavam no local podem comprovar que foi simplesmente do nada que fizeram isso. Percebemos que os ataques com spray aconteceram principalmente nas mulheres, tanto que nenhum homem relatou ter sofrido o ataque direto.
A viatura do local ainda não descobrimos, mas iremos na PM para nos informarem. Eu e mais duas amigas realizamos o BO, semana que vem iremos na corregedoria e Ministério Público.
Detalhe: antes da manifestação de assédio eu liguei para o 190 para relatar um caso de assédio com minha amiga que havia acontecido na rua, onde uma caminhonete parou atravessada na rua e ficou insultando ela até chegar em casa. Eles falaram que nada poderia ser feito, a não ser que soubéssemos onde estava o agressor. Até onde eu sei ninguém fica parada na frente do agressor esperando a PM. Nem uma ronda eles podiam fazer, mesmo nós passando as informações do modelo do carro, placa, e a característica do homem dentro do carro.
Estou extremamente assustada e perplexa com essa situação, e esse abuso de autoridade sobre nós. Fico pensando direto no ocorrido, foi uma experiência terrível.
Se não posso confiar nem em quem deveria fazer a segurança da cidade, como posso sair na rua em paz?


Tenho convicção de que o comandante Alfredo Nogueira vai averiguar este episódio e tomar as providências necessárias