“O fato de não ter contrato não é prova de que não existiu propina”, diz procurador da Lava Jato

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Leia o que disse o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato ao ao  Diário Catarinense. Ele esteve na quinta-feira em Florianópolis.

 

DC -Nas delações divulgadas na semana passada, políticos catarinenses responsáveis por governos com ou sem contratos com a Odebrecht foram citados. Em administrações sem contratos com a empresa, como o Governo do Estado, a principal defesa é a não existência de um contrato com a construtora. Só isso basta para afastar suspeita de corrupção?

 

Quando acusamos alguém de corrupção é quando há provas de que houve uma venda do serviço público. O fato de não existir um contrato de um governo com a Odebrecht não é prova de que aquelas pessoas não receberam propina, pois os políticos podem ter influenciado e beneficiado a empresa por meio de um serviço público ou a aprovação de uma medida provisória ou lei. Isso que deve ser investigado. Uma empresa como a Odebrecht, quando ganha uma licitação, precisa que os valores da sua obra sejam inseridos no orçamento anual. Ou seja, precisa que parlamentares estejam dispostos a inserir a rubrica dos gastos nos anos que a obra vai se estender. É um exemplo de como a atuação parlamentar pode ser relevante em um esquema de corrupção. Além de tudo isso, uma destinação de recurso de propina para prefeito ou governante pode ser através do pedido de um parlamentar que tenha aquele governante na sua base de apoio e votação, aquilo que as pessoas chamam de curral eleitoral. Então todas as hipóteses devem ser investigadas. 

OBS: É que o governador ten insistido na tese de que não assinou contrato nenhum com a Odebrecht, portanto não tem envolvimento com a empresa.

 

O que disse Moacir Pereira sobre o caso:

 

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