
Admiro as pessoas que amam os animais e lutam para lhes dar melhores condições especialmente àqueles que estão abandonados à própria sorte nas ruas. Merece elogio o trabalho que algumas instituições e mesmo pessoas isoladas fazem em Lages em prol deles. Nos últimos dias ganhou as manchetes a campanha empreendida por empresários para instalar as casinhas para os cães nas praças e principais pontos dos bairros.
São quase 90 mil animais vivendo
nas ruas de Lages
Reconheço que é preciso medidas urgentes para, não apenas cuidar dos animais que estão aí, mas deter o aumento dessa população canina.
Fontes das próprias instituições voltadas à proteção dos animais apontam que está chegando a casa dos 90 mil animais circulando nas ruas de Lages. Portanto, as 500 casinhas que estão sendo instaladas vão atender uma parcela muito pequena desse universo.
Se conseguirem sensibilizar a comunidade para atender a toda população desses sem-teto, Lages passará a ser conhecida como a “cidade das casinhas de cachorros”, ou virar um grande canil a considerar o fato que agora estão distribuindo comida e água pelas praças e ruas.
Além da casa… comida e água
Andando pela área central me deparei com vários pontos onde foi depositada ração. Em dias de chuva essa ração escorre pela calçada e meio-fio. Mas, será que é de teto que esses animais precisam?
Necessitam também de atendimento veterinário.
Alguns estão tão sarnentos que perderam até os pelos. Espalhar casinhas para os cachorros é encarrar o problema de uma forma muito simplista. E ninguém tem coragem de criticar porque não seria “politicamente correto”.
Não seria mais coerente construir um canil para tirar esses animais da rua?
Mas, como nós é que somos os animais racionais, cabe a nós apelar ao bom senso.
Será que ao invés de espalhar casinhas, esses mesmo empresários não poderiam construir um local para abrigar esses animais abandonados, alimentá-los e castrá-los? Em local mais apropriado que não seja as praças e ruas da cidade? Sabemos que há várias iniciativas para castramento, mas em volume tão pequeno em relação ao tamanho da população que, mesmo nos próximos 10 anos não se dará cabo ao problema.
Dar teto e comida para mantê-los nas ruas é atrair um maior número deles para o centro. Tanto que durante o Recanto do Pinhão ouvi muitas queixas a respeito da quantidade de cachorros circulando no calçadão. Algumas delas deixaram o local por causa disso.