Do ato realizado na quinta-feira, para oficializar a transferência da administração do aeroporto regional à Infraero, me chamou atenção um detalhe: a duração do contrato de apenas um ano, embora a vigência possa ser prorrogada.
Obviamente que a Infraero tem experiência nesta área porque administra cerca de 55 outros aeroportos. Se estabeleceu este prazo porque é o tempo necessários para colocá-lo em operação, aproveitando a expertise da Infraero para a questão da homologação do mesmo que é sempre um processo complicado.
Para isso o governo do estado pagará mensalmente a ela R$ 127,9 mil para que cuide desse processo. Não é uma concessão porque o aeroporto não tem ainda lucro operacional. A previsão é de que neste primeiro semestre, o aeroporto conseguirá a homologação apenas para receber aeronaves da aviação geral diurnos.
Somente depois serão instalados os equipamentos para os voos por instrumentos. Para isso serão necessários novos investimentos e que não serão baratos. Vamos depender novamente da boa vontade do governo em investir ainda mais no aeródromo.
A ideia tanto do governo como da Infraero é transferir os voos da Azul para lá.
Segundo o assessor de imprensa da Azul, Bruno Tortorella, “ainda não há nenhuma tratativa ou acordo consolidado sobre possíveis mudanças em Lages. A Azul está acompanhando as obras do novo aeroporto de Correia Pinto e acredita que uma migração dos voos comerciais regulares para a cidade possa acontecer caso este venha a oferecer uma melhor infraestrutura para as operações da companhia”.
Bem entendido! É preciso oferecer uma melhor infraestrutura.
Além dos voos da Azul, o aeroporto de Lages tem uma intensa movimentação. Segundo os administradores cerca de 300 aeronaves pousam ali todo o mês. Há dias que o aeroporto recebe até 10 aviões entre particulares, de taxi aéreo e transporte de enfermos. Estes voos dificilmente serão transferidos para o regional. Há ali instalada uma empresa de serviço de taxi aéreo. O transporte de enfermos também não será feito por aquele aeroporto: não iriam pousar a 30 quilômetros de distância se pode descer a poucos minutos de uma unidade de saúde.
Se temos hoje um aeroporto regional, o mínimo que podemos esperar é que se obtenha outras linhas aéreas para ali operar. Trazendo a Gol ou a TAM, fazendo a ligação com outros centros do país e até voos internacionais. Apenas transferir a única linha que temos para lá, não somará absolutamente nada. É trocar seis por meia dúzia.