Quantidade de matéria apresentada não qualifica o trabalho dos vereadores

 

Quem se depara com o relatório divulgado pela Câmara de Vereadores no final de semana, surpreende-se com o volume de matérias apresentadas pelos vereadores no ano passado: 3.492.

Uma média de 183 por vereadores, já que somam 19. A grosso modo, se dividíssemos pelo número de sessões deliberativas que ocorreram – total de 82 – daria 2.2 matérias de cada vereador por sessão. Que somados, dá uma média de 40 documentos analisados por sessão.

 

Diria até que estão trabalhando muito. Mas, é um ledo engano querer os vender esse tipo de produtividade, como forma de qualificar o trabalho do vereador ou o peso do legislativo para a comunidade a que serve.

 

Desse total, mais da metade, 2.247, são indicações, ou seja, meros pedidos para que o executivo coloque um cano em uma rua, asfalte outra, repare o passeio aqui, reabilite um ponto de iluminação pública lá, enfim… centenas de pequenos problemas que norteiam o dia a dia de uma comunidade.

 

Coisas que o vereador tem de encaminhar, porque é solicitação de seu eleitor, mas faz parte da rotina de quem está na vida pública, mas que não se constitui em sua função primeira ou última.

 

Por conta disso é que os vereadores, especialmente da situação, ficam se digladiando na disputa para ver quem teve mais pedidos atendidos pelo Executivo. Ou o secretário que privilegia o atendimento aos pedidos desse ou daquele vereador.

 

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O Pastor Mendes é o mais produtivo nesse item, recordista com 369 indicações só no ano passado e, nesse, se encaminha para novo recorde. Tem total atenção de alguns secretários.

 

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Tanto que João Chagas e mesmo Adilson Padeiro se mostraram revoltado por pertencerem a base de sustentação do governo e não desfrutarem de tais privilégios junto a administração ou secretários das áreas afins.

 

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A oposição apenas assiste a disputa e incita a discórdia, uma das especialidades de Marião.

 

 

Então, metade das matérias se constitui de indicações e, um terço das que sobram, foram moções (564). Que de prático, ou eficácia, não têm resultado, só servem de mote para discurso.

 

A situação, em sua grande maioria, nem se dá ao trabalho de participar do debate e, até acha que é perda de tempo fazer isso, já que tem a maioria para aprovar o que interessa.

 

A pergunta que fica é: quanto nos custou cada indicação, cada moção, projeto de lei, emenda… se dividirmos o gasto anual da Câmara pelo número de matérias, ou a produtividade dos edis?

Exatos R$ 2.720,50 cada uma delas. Pois a despesa da Câmara de Vereadores no exercício de 2015 foi de R$ 9,4 milhões.

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