É do conhecimento de todos que há algum tempo atrás as irmãs da Congregação Divina Providência proprietárias do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres estavam negociando a venda do mesmo à Uniplac.
Era do interesse da Uniplac a sua aquisição por causa do curso de medicina. Se falava em uma negociação que envolveria R$ 30 milhões, recursos estes que a universidade conseguiria com a liberação de um fundo que até então estava sendo retido na justiça.
A negociação foi frustrada por conta da insistência da congregação de que adquirindo a unidade, a Uniplac também teria de assumir a dívida trabalhista. Por conta disso, o negócio foi inviabilizado. Ocorre que há um grupo de médicos que conseguiu na justiça uma indenização cujo valor é muito grande. Uma vez que a Congregação não tinha mais condições de tocar o hospital porque a grande maioria das freiras já estão com idade avançada e é muito pequeno o ingresso de novas postulantes à vida religiosa, precisava passar o hospital adiante.
Apareceu então um outro interessado que foi a Sociedade São Camilo, de São Paulo, que administra vários hospitais pelo país. Mas, neste momento os médicos já estavam tentando negociar a compra por conta da dívida trabalhista. Conseguiram sustar a negociação e passaram a tratar os termos da aquisição da unidade de forma sigilosa. Assim como aconteceram todas as demais tratativas anteriores.
Na manhã desta sexta-feira, ao que parece, a negociação com os médicos se consolidou e 42 médicos e dois anestesistas assumiram o hospital e as irmãs da Divina Providência se retiram de Lages. Vale lembrar que já se desfizeram da casa de recolhimento que tinham em Lages e as irmãs idosas foram todas transferidas para a unidade de Curitiba.
A única preocupação com relação ao hospital é com relação a possibilidade de uma orientação mais comercial as atividades da unidade. É que hoje a prioridade é para com o atendimento pelo SUS. Mais de 80% dos internamentos são cobertos pelo sistema, por conta do enfoque filantrópico dado pela congregação.
Passando a atuar como um hospital particular este tipo de atendimento pode mudar. Não podemos esquecer do grande investimento que foi feito nesta unidade com recursos públicos. A nota que os novos proprietários deve expedir nos próximos dias deverá nos posicionar inclusive de como ficam os convênios mantidos hoje.