A Secretaria de Estado da Educação (SED) vai endurecer as regras do jogo e criar uma estrutura inédita para combater os crimes de assédio sexual dentro das escolas públicas de Santa Catarina. Trata-se da criação de uma Corregedoria interna e exclusiva da pasta, que nascerá com superpoderes e autonomia para investigar, processar e punir professores e servidores da rede estadual envolvidos em desvios de conduta. O martelo já foi batido pela secretária Luciane Ceretta, e o lançamento oficial do setor deve ocorrer entre os dias 16 e 18 de junho, dependendo apenas dos ajustes finais na agenda do governador Jorginho Mello (PL).
A medida drástica é uma reação direta ao assustador volume de queixas que chegam aos órgãos de controle. Apenas nos primeiros meses deste ano, o estado já formalizou 21 investigações por assédio, relações consumadas e interações inadequadas de educadores com alunos. Para se ter uma ideia da gravidade, o volume atual está a apenas três casos de igualar a marca de 24 denúncias registradas ao longo de todo o ano passado.
No centro desse debate estrutural, a secretária Luciane Ceretta aponta um ingrediente complexo: a extrema rotatividade dos professores contratados sob o regime de ACT (Admitidos em Caráter Temporário). Com mais de 30 mil profissionais temporários atuando diretamente no dia a dia da rede pública, o monitoramento de perfil e o histórico dos profissionais tornam-se um desafio hercúleo para os diretores.