Vídeo de influencer simulando embriaguez para divulgar a Festa do Pinhão gera onda de críticas

A busca incessante por engajamento nas redes sociais durante a Festa do Pinhão ultrapassou a barreira do bom senso e acendeu um debate ético em Lages. A veiculação de um vídeo em que um influenciador digital simula estar completamente embriagado como pano de fundo para promover o evento gerou uma forte onda de rejeição entre internautas, que classificaram a peça publicitária informal como de extremo mau gosto.

Na era do algoritmo, onde o choque e a polêmica geram visualizações, a estratégia de marketing digital adotada ligou o sinal de alerta de quem acompanha os bastidores da comunicação local. O ponto crítico reside no fato de que o vídeo banaliza um problema social e de saúde pública sério. Em uma época em que as polícias, os órgãos de trânsito e a própria prefeitura investem pesado em campanhas de conscientização — batendo na tecla do “se beber, não dirija” e no combate a excessos dentro do Parque Conta Dinheiro —, ver a imagem da maior festa da Serra atrelada a um pileque simulado soou desconectado com a realidade.

1 comentário em “Vídeo de influencer simulando embriaguez para divulgar a Festa do Pinhão gera onda de críticas”

  1. A polêmica envolvendo o vídeo divulgado durante a Festa do Pinhão levanta uma pergunta incômoda: afinal, o que hoje se chama de “influencer”?

    Porque influência, ao menos em tese, deveria carregar algum nível de responsabilidade, repertório e noção mínima do impacto daquilo que se comunica. Mas, em alguns casos, o que se vê é apenas a velha fórmula da internet rasa: falar alto, fazer graça com bebida, simular excesso, gerar constrangimento e chamar isso de conteúdo.

    E, convenhamos, não parece ser um caso isolado. No caso do autor do vídeo em questão, o mau gosto parece ter virado método: falas pobres, mensagens rasas e uma comunicação que aposta mais no constrangimento do que em qualquer traço real de criatividade.

    Há uma diferença enorme entre ser espontâneo e ser inconveniente. Entre fazer humor popular e transformar tudo em deboche barato. Entre comunicar para aproximar o público e apenas produzir ruído para arrancar curtidas.

    O episódio é ainda mais preocupante porque associa a imagem de uma das maiores festas da Serra Catarinense a uma encenação de embriaguez justamente em um período em que se reforçam campanhas de conscientização, segurança no trânsito e consumo responsável. Enquanto órgãos públicos, forças de segurança e entidades tentam combater excessos, vem alguém transformar o pileque em peça de divulgação. É, no mínimo, um desserviço.

    O rapaz em questão parece insistir em uma fórmula cansada: bebida, piada sem refinamento, fala atravessada e uma tentativa permanente de parecer engraçado a qualquer custo. Só que, quando se trata de uma festa do porte da Festa do Pinhão, isso deixa de ser apenas “conteúdo de internet” e passa a respingar na imagem do evento e da cidade.

    E aqui cabe separar as coisas: Lages tem bons comunicadores, criadores de conteúdo e figuras públicas que sabem promover a cidade com inteligência, humor e respeito. Há exemplos positivos, como o Biguá, que consegue dialogar com o público sem precisar apelar para o vexame.

    O problema está justamente nesse tipo de “influência” que se resume a beber, debochar, fazer barulho e transformar qualquer situação em palanque para a própria falta de noção. Não é autenticidade. É pobreza de conteúdo fantasiada de espontaneidade.

    Influência exige um mínimo de responsabilidade. Não basta aparecer. Não basta viralizar. Não basta fazer graça. Quem usa a própria imagem para divulgar algo público precisa entender que comunicação também carrega consequência.

    No fim, a pergunta que fica é simples: esse tipo de exposição promove a Festa do Pinhão ou apequena a imagem dela? Porque engajamento a qualquer custo pode até render visualização, mas também revela muito sobre o nível de quem produz, de quem aprova e de quem acha bonito compartilhar.

    O problema, portanto, não é só o vídeo. É o conjunto da obra: a linguagem, o tom, a mensagem e essa insistência em confundir mau gosto com autenticidade.

    Porque engajamento passa. O constrangimento fica.

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