Um breve tratado sobre a proibição do álcool em locais públicos

A discussão sobre a proibição do consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos frequentemente revela uma contradição profunda entre o discurso oficial e as práticas adotadas por agentes públicos. Sob o argumento de preservar a ordem, a segurança e o bem-estar coletivo, criam-se normas que restringem direitos individuais, como o de consumir uma bebida em um local aberto, mas que, na prática, muitas vezes servem mais como instrumento de controle do que de proteção social.

Essa hipocrisia se evidencia quando tais proibições não são aplicadas de maneira uniforme ou justa, atingindo principalmente determinados grupos sociais enquanto outros permanecem imunes à fiscalização. Em vez de promover uma cultura de responsabilidade e convivência equilibrada, o Estado acaba reforçando uma lógica seletiva, na qual o poder de decisão se concentra nas mãos de agentes públicos que, por vezes, utilizam essas normas para afirmar autoridade ou justificar abordagens arbitrárias. Somente porque os moradores de rua não tem uma situação econômica favorável não tem o direitos que os outros moradores têm. A desculpa é que eles cometem pequenos delitos (diferente da maioria dos nossos políticos que criam as leis), para isto está a lei, mas pelo que entendi a própria PMs prefere tirar direitos do que cumprir o seu papel.

Além disso, é importante questionar se a simples proibição resolve os problemas que se propõe a combater. O consumo abusivo de álcool, por exemplo, é uma questão complexa que envolve fatores sociais, culturais e de saúde pública. Reduzir essa realidade a uma restrição espacial ignora suas causas profundas e desloca o foco de políticas mais eficazes, como educação, conscientização e acesso a serviços de apoio. E, nesse contexto, a proibição do álcool em locais públicos pode se transformar em um exemplo claro de como normas aparentemente bem-intencionadas acabam servindo a interesses institucionais ou políticos, em vez de atender às reais necessidades da população.

Portanto, neste caso, eu sou a favor da desobediência civil.

Fabian de Lima

1 comentário em “Um breve tratado sobre a proibição do álcool em locais públicos”

  1. Local público não é lugar de bebedeira. Já se sabe que quem bebe além da conta se passa e quem tá passando na rua não tem que estar lidando com bêbado e tem mais se bebe na rua volta 90% de carro aí tem mais essa risco.

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