Durante audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa, na quarta-feira, para discutir os problemas da Usina Garibaldi, o bispo dom Irineu Andreazza acusou o Ministério Público de SC de não agir em prol das famílias atingidas pela barragem.
Segundo o que foi aprovado na audiência essa denúncia será levada ao procurador-geral de Justiça, Lio Marcos Marin. Ocorre que as comportas da barragem da usina foram fechadas sem autorização e um erro no projeto fez com que o nível do lago ultrapassasse a cota prevista, provocando o alagamento de áreas não desapropriadas: plantações, estradas e áreas de mata nativa. Mais de mil famílias foram afetadas.

Representantes da Fatma confirmaram na audiência que a usina iniciou o enchimento do lago sem a concessão da licença de operação. Por isso, foi multada em R$ 10 milhões. Também confirmou que a água da represa inundou áreas além do previsto, pelo menos 50 mil araucárias estão embaixo d’água.
A Hidrelétrica Garibaldi foi construída no Rio Canoas, entre Abdon Batista e Cerro Negro. O lago, com 42 quilômetros de perímetro, atinge também propriedades rurais de outros três municípios: Vargem, São José do Cerrito e Campo Belo do Sul. Uma das atingidas, Ana Alaíde Albuquerque, relatou casos de famílias que não tiveram tempo de retirar benfeitorias ou plantações, que agora estão sob a água. Advogado do consórcio, Júlio Müeller, admitiu que houve equívocos no processo de desapropriação e já foi firmado Ajuste de Conduta para reparar os erros. Alguns podem ser recompensados, jamais reparados.