Cooptação e correligionários

 

Segundo registro da Câmara de Lages, somente nesse ano já foram feitos mais de novecentos pedidos de informações ao executivo.

 

Presume-se então que a prefeitura terá de destacar alguém somente para essa função: responder as indagações dos senhores vereadores. E ressalta-se também que tais pedidos não partiram apenas dos vereadores da oposição. Mesmo os da situação fazem questionamentos, quando poderiam, facilmente obter as informações diretamente na fonte.

 

As indicações também são feitas aos borbotões

Somente em uma sessão, da semana passada, foram aprovadas 42 delas.

Vão desde o cascalhamento de ruas, melhorias de pontilhões, colocação de tubos a limpeza dos meios-fios. Constata-se dessa forma que os vereadores estão hoje trabalhando no varejo, querendo influir e determinar a agenda das secretárias de Infraestrutura e Meio Ambiente, especialmente. Como na cidade não faltam buracos, o saneamento só chega a 40% da cidade, as ruas de terra sempre precisam de conservação e o mato continua crescendo nos meios-fios, o que não falta são demandas para os vereadores.

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Alguns deles são os campeões de solicitações de serviços ao executivo. É o caso do Pastor Mendes.

Não estou aqui criticando, pois estariam agindo como fiscais do serviço público e cobrando providências.

Só que muitas dessas solicitações poderiam ter um encaminhamento diferente para não entulharem a pauta das sessões com pedidos de limpeza de meio-fio. O fato já está gerando disputa entre os membros da base aliada do governo.

 

Disputa pela atenção do executivo

às suas demandas

Há quem reclame que, enquanto as solicitações de um dos vereadores são prontamente atendidas, de outros são esquecidas nas gavetas das secretarias.

 

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João Maria Chagas, por exemplo, reclama que não tem respaldo do executivo, alegando que os pedidos de Vone Scheuermenn e Pastor Mendes têm prioridade.

A vereadora Aidamar Hoffer fez referência ao fato dizendo ser vergonhoso que se privilegie um, em detrimento de outro, apenas por questão partidária. Está realmente errado. 

Mas, fica na mesma situação do prefeito que muda de sigla para filiar-se ao partido do governador e ganhar prioridade na liberação de recursos e convênios.

Não foi assim com o prefeito de São José do Cerrito, Arno Marian e agora o prefeito de Otacílio Costa, Tio Ligas? E as justificativas dos prefeitos e a forma de cooptação dos mesmos são públicas, sem que ninguém conteste.

 

Um governo não poderia privilegiar municípios em função da cor partidária do prefeito e nem o executivo atender apenas os pedidos dos vereadores da situação.

 

Os recursos não são do partido e nem o governo está a serviço de seus correligionários. A concessão de privilégios aos aliados, o uso de recursos públicos para cooptar apoio político são atos moralmente condenáveis, mas de tão comuns se tornaram naturais e aceitáveis.

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