O fato de o governador Raimundo Colombo trazer o ex-prefeito de Curitiba, o engenheiro Cássio Taniguchi, para assumir a Secretaria da Mobilidade Urbana – a ser criada dentro da reforma administrativa prevista -, mostra sua assertiva quanto as ações necessárias para melhorar, não apenas o grande gargalo da capital, que é o trânsito, como possibilitando que as demais cidades de grande porte do estado, continuem sendo boas referências de qualidade de vida.

E também, o peso da pasta dentro de sua gestão. Não se trás alguém com renome nacional sem que lhe forneça as ferramentas para justificar a contratação. Embora Lages não esteja na lista de preocupações do governo em se tratando de mobilidade urbana, creio que é tempo de nossos governantes tentarem incluí-la, pois em mais cinco anos – a se considerar o aumento do número de veículos novos que passam a circular a cada ano (temos hoje quase 100 mil) – estaremos convivendo com um trânsito tão caótico que não será mais possível nem tirar o carro da garagem.
E tudo o que se discute até hoje em Lages, em termos de mobilidade urbana, é a acessibilidade dos cadeirantes aos prédios públicos e passeios. Por aí vemos o quanto estamos atrasados nessa questão.
Nem conseguimos resolver a questão das rampas nos prédios públicos, que dirá pensar em termos de deslocamento de veículos. Todos os estudos feitos acabaram engavetados.
Levantamento feito em Florianópolis, aponta que apenas 24% da população usa o transporte coletivo, 25% utiliza outras formas de locomoção e 49% usa o veículo particular. Em Lages não deve ser diferente porque apenas ⅓ da população não tem carro (quase 100 mil veículos para uma população de 160 mil habitantes).
Isso mostra que só se estará atacando o problema da mobilidade de frente se considerar como meta o desenvolvimento de ações que estimulem o uso do transporte coletivo.
Mesmo porque, em cinco anos, não acredito que será possível se circular de carro no centro de Lages. As áreas de estacionamento são reduzidas na medida em que aumentam os carros em circulação. Hoje quem for investir em Lages precisa pensar nisso.
As alternativas são duas: ou se melhora a qualidade do transporte coletivo ou se transfere para as áreas periféricas as empresas, repartições e demais serviços.
Não será possível manter, como é hoje, tudo concentrado num raio central muito pequeno. Mesmo que se invertam o sentido de algumas ruas ou canalizem o escoamento do trânsito de outras, nunca se terá ai medidas eficazes, porque o destino de todos os veículos em circulação é sempre para entrar ou sair do centro.