Sobre o Hospital de São José do Cerrito:

 

Em relação ao seu comentário na nota “Não há solução para o hospital do Cerrito”, publicada em seu portal na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015, cabe esclarecer o seguinte:

A orientação da Secretaria de Estado da Saúde, representada neste caso pela gerente de Planejamento do SUS, Terezinha Serrano; e pela gerente de Contratualização dos Serviços do SUS, Grace Ella Berenhauser, para que o município de São José do Cerrito busque outras funções para o hospital, leva em consideração critérios exclusivamente técnicos.

Até ser interditada pela Vigilância Sanitária no dia 15 de janeiro, a Fundação Hospitalar de São José do Cerrito atendia, em média, de 18 a 25 pacientes por mês. Uma demanda muito baixa para manter a estrutura com equipamentos, medicamentos, profissionais e os custeios de praxe, como água, luz e telefone.

Mesmo com um aporte mensal de R$ 4 mil por mês por parte da prefeitura, o hospital era completamente deficitário, tanto que só em encargos trabalhistas a dívida passa dos R$ 90 mil.

Além disso, a instituição não estava preparada e muito menos credenciada a realizar procedimentos mais complexos.

Assim, os atendimentos se limitavam a pequenas cirurgias e casos clínicos sem gravidade. Ou seja, os recursos oriundos do Sistema Único de Saúde por meio das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) eram praticamente irrisórios.

Ocorre que justamente estes serviços já são oferecidos de graça pela unidade central de saúde de São José do Cerrito, um órgão muito bem estruturado e que impressionou positivamente as profissionais da Secretaria de Estado da Saúde.

_ Vocês têm só nove mil habitantes e um posto de saúde muito bom e bem equipado _, disse Terezinha Serrano ao conhecer o local na tarde da última quinta-feira.

Os casos graves já eram e continuarão sendo encaminhados aos hospitais de Lages, e o prefeito Arno Tadeu Marin sinalizou que deve ampliar o horário de atendimento da unidade central da saúde do Cerrito para o período noturno, o que inviabilizaria completamente a reabertura do hospital, cuja demanda, repito, não passava dos 25 pacientes por mês. Ou seja, por mais que tenha sido bastante importante em épocas passadas, o hospital de São José do Cerrito deixou de ser fundamental.

É a mesma lógica de uma empresa que tem vários funcionários e precisa pagar todas as contas em dia, mas não tem clientes. Neste caso, a única saída é fechá-la ou direcioná-la a outra atividade.

E é exatamente isso o que se propõe para o hospital de São José do Cerrito, para que seja vocacionado a outras funções sociais, sendo que a mais viável neste momento seria um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) microrregional, órgão que passaria a receber verba do Ministério da Saúde para se adequar, pagar todas as contas (sem mexer nos cofres da prefeitura) e prestar bom atendimento a pacientes depressivos, neuróticos, ansiosos, esquizofrênicos e dependentes químicos não apenas de São José do Cerrito, mas de outros municípios vizinhos.

A demanda existe, segundo a prefeitura e a própria Secretaria de Estado de Saúde, que considera a região de Lages muito carente neste tipo de serviço. Cabe lembrar que os municípios de Correia Pinto e Ponte Alta também são candidatos a receber o Caps, e a decisão deverá ser tomada pelo colegiado dos secretários municipais de Saúde da região.

E se não sair o Caps, existem outras alternativas sugeridas pelo Estado, como uma sala de estabilização com equipamentos específicos e um técnico permanente para dar o primeiro atendimento a casos que podem se agravar até a chegada ao hospital mais próximo, no caso, Lages, distante 40 quilômetros; uma residência terapêutica; casa-dia para idosos; entidade de assistência social e até uma instituição educacional. Ou seja, existe sim solução – e não apenas uma, mas várias possibilidades – para o hospital do Cerrito.

Reitero que não é atribuição do Estado impor ou decidir nada em relação à fundação hospitalar, mas auxiliar na busca por soluções. Também reforço a declaração de Terezinha Serrano que deixa bem clara essa questão.

_ Não estamos dizendo que precisa fechar, mas tem que sair da situação em que se encontra. Esse hospital não é referência para nenhum outro município, e se for para mantê-lo, tem que abrir 24 horas por dia, sete dias por semana, e fazer todos os investimentos necessários. O nível de atendimento é bem maior. A população não quer qualquer serviço, ela quer cada vez mais o melhor e precisa ter a segurança de que vai ser atendida sempre.

Outra questão importante e que diz respeito somente ao município de São José do Cerrito é com relação ao prédio do hospital, que pertence a uma fundação e cujo destino deve ser definido em comum acordo com a prefeitura.

É isso, Olivete, espero ter esclarecido a questão. Um grande abraço e sempre à disposição. 

 
Pablo Gomes
Assessoria de Comunicação
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Lages
 

Deixe um comentário