A mídia exagera

 

 

 

Em todos os canais de TV e demais jornais, ontem só falaram e mostraram a derrota do Brasil. Pela importância dada ao episódio parecia que o Brasil estava em comoção. O jogo da Copa do Mundo era a coisa mais importante do mundo.

 

Jornal de circulação estadual chegou ao cúmulo de tratar a derrota da seleção da primeira à última página, passando da política à economia e ao lazer, não faltando até foto de bebe vestido de verde amarelo chorando, para mostrar a tristeza do país pelo vergonhoso desempenho de nossos atletas.

Esses poucos homens que têm o privilégio de receberem salários que um cidadão médio jamais vai ganhar em toda a sua vida de trabalho, são o grande ídolos. São os nossos herói e, quando vemos que têm pés de barro, nos prostramos em grande decepção.

Reconheço que o futebol é o esporte nacional. Leva milhares aos estádios, gira milhões de reais e emprega muita gente. Mas, também uma fonte de corrupção e age como um paliativo para que esqueçamos os inúmeros problemas que temos.

A política da Roma antiga, para controlar o povo e, mantê-lo alheio às ações do governo (ou falta delas), era do pão e circo. Hoje no Brasil, é da bolsa família e futebol.

 

Tanto que a custo de milhões de reais trouxemos para cá a Copa do Mundo. Até não tenho nada contra a realização da Copa no Brasil e muito menos refuto o amor que o brasileiro tem pelo futebol.

Mas, entendo que cabe a mídia o bom senso de não resumir nisso todo o sonho e objetivos de uma nação. É de cansar o ouvido e a visão o tanto que a tevê mostra e repete a mesma coisa. O Galvão Bueno repete no jornal da manhã, do meio dia e da noite e ainda nos intervalos, as mesmas informações, como se fosse um mantra.

A tevê chega a mostrar como algo inconcebível que uma família estivesse passeando na rua enquanto acontecia o jogo do Brasil, sem nenhum interesse pela disputa.

Inconcebível para min é constatar que alguns blumenauenses se reúnam para torcer pela Alemanha, fazendo pouco caso do Brasil. Embora descendentes de alemães, a maioria deles nunca pôs os pés naquele país. E se algum dia lá forem serão tratados como brasileiros que são, sem nenhuma deferência que não aquela recebida por qualquer turista. 

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