Acompanhando o drama da família de Aderbal Andrade

 

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Apartamento e dignidade

arrematados em leilão

 

Os últimos dias não têm sido nada fáceis e, para complicar, sabemos que os que virão serão ainda mais difíceis. Só quem passou pela situação que passamos pode ter noção do que enfrentamos.
Correr para todos os lados e ver janelas e portas se fechando, ser iludido com história de final feliz, ouvir falsas promessas, enfim, mover céus e terras e não conseguir resolver coisa alguma. A sensação que toma conta é a de fracasso, de frustração e acima de tudo de impotência.
Impotência diante de um sistema que é denominado “justiça”, mas que não é nem um pouco justo. Sim, porque o que aconteceu no caso dos meus pais é a prevalência da lei, que foi cumprida tal como foi escrita pelos homens, mas a justiça passou muito longe de ter sido feita.
Um homem de 74 anos que teve dois AVCs, câncer, sofre com doença degenerativa do sistema nervoso, usa fraldas e cadeira de rodas, ser colocado para fora de sua residência depois de uma vida inteira de trabalho honesto é, no mínimo, crueldade.
Pior, perder o único imóvel que possui por uma dívida que não é sua. Foi induzido a assinar um contrato de locação como avalista, apenas 8 dias após sair do hospital. O laudo médico emitido dois meses antes dessa assinatura já o declarava “incapaz de responder por seus atos”. Como essa assinatura pode ter validade?
Eu me pergunto como o devedor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir sabendo o que causou à nossa família? Que tipo de pessoa ele é? E porque a “justiça” não penhora os bens que ele agora possui?
Passar a infância observando como meu pai se doou para ajudar tanta gente pobre e tanta gente que hoje é milionária; conviver com a ausência do seu “super-herói”, enquanto ele exercia seu importante papel na política; lembrar dos rostos de pessoas que conviviam em nossa casa nesses tempos em que meu pai gozava de boa saúde e conseguia reunir muitos votos para elegê-los… São recordações que se tornam dolorosas ao constatar que ele foi “útil” enquanto tinha dinheiro e saúde, depois que ficou doente, todos os seus “amigos” sumiram do mapa, com exceção dos mais pobres, pois esses reconhecem até hoje o que o “Tio Deba” fez.
Como existem pessoas más e que se aproveitam de gente como meu pai, que nunca soube dizer não. 
Maldade como a que fizeram com ele ao pegar sua assinatura ciente de que ele sequer sabia o que estava assinando é nojento, é desumano!
Cadê o devedor para pagar o que deve? Cadê os “amigos” que sugaram o que meu pai tinha e hoje não vão nem visitá-lo? Cadê?
Deus sabe mesmo o que faz, pois deixou meu pai aqui conosco sem ele poder compreender o que se passa ao redor. Penso em como seria triste para ele perceber o que estão fazendo.
O último dia 22 será impossível esquecer. Ouvir minha mãe, que sempre segurou a barra e cuidou da família com tanto amor, chorando escondida no banheiro para meu pai não perceber, foi como se tirassem meu coração do peito. 
O leiloeiro começou a falar sobre o apartamento que estava disponível, os interessados já estavam no fórum para garantir o melhor lance. O imóvel chegou a ser arrematado por R$120.000,00 (menos da metade do que vale). Foi de última hora, que nosso advogado conseguiu um acordo com o credor, que concedeu mais 30 dias para que a dívida fosse quitada, o que anulou o leilão. Ou seja, temos até dia 21 de maio para pagarmos R$ 90.000,00 (NOVENTA MIL REAIS). De onde vamos tirar? Não faço a menor ideia… Só sei que temos que levantar essa quantia a qualquer custo.
Expor a minha vida particular, expor meu pai, minha família, isso pode ser motivo para sentir vergonha, mas vergonha maior, vergonha imperdoável é deixar que tirem, junto com o lar, a dignidade dos meus pais. E isso, isso eu nunca vou permitir. 
A família não encontrou outra forma para resolver esse problemão, vamos ter que fazer um evento para conseguir reunir esse valor… E seja o que Deus quiser!
Aos que vão ajudar, desde já o meu agradecimento e aos que vão criticar, peço que façam o exercício de se colocar no lugar do outro e guardem sua opinião para si. Afinal, só quem conheceu meu pai e sua história sabe que vale à pena lutar até o final e é isso o que eu e minha família faremos.
Desejem-nos boa sorte, pois vamos precisar!

 

Angela Reche Borba

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