Tribunal de Contas recebeu quatro denúncias contra a prefeitura de Lages no setor da educação

As denúncias apresentadas ao Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) colocam a gestão da educação em Lages sob um rigoroso processo de auditoria, focando em pontos sensíveis da folha de pagamento e da estrutura administrativa.

As irregularidades apontadas:

1. Irregularidades no Uso do Fundeb

A denúncia mais grave refere-se à utilização de recursos do Fundeb para finalidades proibidas por lei. Recentemente, surgiram indícios de que a prefeitura teria indicado o fundo como fonte de recursos para o pagamento de um bônus ao magistério (no valor de R$ 430,00), o que é vedado pela legislação federal, que restringe o uso do Fundeb ao pagamento de salários e manutenção da educação básica, proibindo-o para complementos eventuais dessa natureza.

2. Piso Salarial dos Professores

A representação questiona a conformidade dos projetos municipais com a Lei Federal nº 11.738/2008. O TCE-SC tem sido rigoroso em determinar que o piso nacional deve ser aplicado diretamente sobre o vencimento básico, e não através de complementos ou bônus que não se incorporam à carreira. Em casos semelhantes na região, o Tribunal já determinou correções em até 60 dias sob pena de sanções aos gestores.

3. Cargo de Auxiliar de Sala e Remuneração de Diretores

Auxiliar de Sala: A criação deste cargo é alvo de análise para verificar se a forma de contratação (muitas vezes via “chamada pública” ou processos temporários) não está substituindo indevidamente a necessidade de concursos públicos. O TCE já apontou em auditorias anteriores que Lages possui um número de professores ACTs (temporários) superior ao de concursados, o que é considerado uma irregularidade administrativa.

Diretores: O projeto de reestruturação da remuneração e a forma de nomeação dos diretores estão sob vigilância. O TCE/SC emitiu alertas recentes (ofícios a todos os prefeitos) reforçando que a nomeação de diretores deve seguir critérios técnicos de mérito e desempenho, conforme as novas regras do VAAR/Fundeb, sob risco de o município perder repasses federais milionários.

Com o acatamento das denúncias e a designação de um relator, o processo segue o seguinte rito:

 O secretário de Educação e a prefeita Carmen Zanotto serão notificados para apresentar defesa técnica e documentos que comprovem a legalidade dos projetos. Auditores do Tribunal realizarão uma análise cruzada entre os projetos aprovados na Câmara e as contas da prefeitura. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o Tribunal pode determinar a suspensão dos pagamentos irregulares, a retificação das leis municipais e a aplicação de multas aos responsáveis.

2 comentários em “Tribunal de Contas recebeu quatro denúncias contra a prefeitura de Lages no setor da educação”

  1. Assistência Social também faz o mesmo uso recurso Federal para pagar bonificação. O recurso só poderá pagar folha do profissional concursado naquele equipamento CRAS, CREAS o recurso só pode ser usado para essa finalidade se não faltar nada para o funcionamento do programa. Assistência Social paga bônus até para quem está fora do equipamento lotado em outros serviços.

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