Liminar expedida, quinta-feira, pelo juiz da Infância e Juventude determina o prazo de dois meses para que a Secretaria Municipal de Saúde resolva o problema de agendamento e fornecimento de consultas aos mais de 6 mil pacientes que estão na fila de espera nos Postos de Saúde e no Hospital Infantil Seara do Bem.
Em três anos a lista de espera dobrou
E agora, não é apenas um Termo de Ajuste de Conduta, mas uma liminar assinada pelo juiz, atendendo denúncia do promotor Leonardo Fagotti Mori, que contatou o aumento significativo da demanda nos últimos três anos: de pouco mais de 3 mil subiu para 6 mil consultas nas lista de espera o ano passado. Para a prefeitura fazer frente à determinação, terá de promover um mutirão de consultas, com a contratação de profissionais de fora, se necessário.
Mais postos de saúde resolve
o problema?
O secretário que assumir a pasta – após o carnaval, segundo o que disse o prefeito -, já o faz com uma missão árdua, visto que a determinação só apressou essa substituição. Mas a ironia dessa situação, é que na medida em que se amplia o atendimento nos postos, maior é o gargalo lá na frente quanto chega ao atendimento dos especialistas: não são em número suficiente e limitadas as fichas distribuídas por dia.
A constatação é de que abrir mais postos de saúde não ajuda a resolver o problema de atendimento. Aliás, só ajuda a agravar.
Para que servem os postos de saúde?
Os postos de saúde servem apenas para fazer o encaminhamento ao médico especialista. Qualquer um que chegue lá, não terá nenhum diagnóstico ou receita médica. É encaminhado ao especialista.
Depois de longa espera, ao chegar ao especialista, esse também não dá nenhum diagnóstico ou receita antes que se faça uma bateria de exames e se agende nova consulta.
O sistema está cada vez maior, mais caro, e não aumentou a eficiência
Pergunto-me, como sustentar todo esse sistema, a custo cada vez mais elevado, num processo que só se empurra para frente? Não é à toa que também os laboratórios não estão sendo pagos, porque os pedidos de exames são em demasia e o dinheiro da prefeitura para cobrir os gastos é limitado.
O problema é de gestão?
A grande maioria dos casos que chegam ao posto de saúde poderia ser resolvido ali mesmo. Portanto, está faltando é gestão para dar um encaminhamento diferente no processo. É justamente esse fator que causou a saída da médica Cristina Subtil.
Ela se queixava da falta de independência, se queixava do secretário de Finanças, conflitou com o diretor financeiro a ponto de provocar sua saída, mas nada mudou. Os problemas apenas se acumularam a ponto de provocar essa medida judicial.
Opinião do leitor
Cara Olivete: admiro o seu blog tanto que na leitura de hoje verifico que houve um equivoco na sua opinião a respeito das Unidades Básicas de Saúde de Lages, pois são realizados diagnósticos em torno de 80% dos atendimentos e com seu devido e apropriado tratamento. Os encaminhamentos para especialistas, quando necessários, acontecem após a sua devida análise (exame físico completa,anmanese e exames complementares necessários).Estou lhe convidando para conhecer a unidade do bairro Tributo, e sua realidade, a qual realizo o meu trabalho a mais de nove anos ou as outras unidades que realizam um excelente trabalho em prol da comunidade, mesmo considerando as precárias condições da sáude pública no Brasil.Para maiores esclarecimentos coloco-me a sua disposição.
Atenciosamente,
Dr. Julio Cesar de Castro Ozorio,
médico especialista em Medicina de Família e Comunidade.