Publiquei no CL

 

Estranhas catedrais

 

Acompanhamos Brasil afora as fraudes e corrupção envolvendo as empreiteiras e o poder público. Aqui mesmo em SC e Lages temos exemplos claros de como funcionam os esquemas de corrupção que não nos cansam de escandalizar.

O ministro Jorge Hage, que deixou recentemente a Controladoria-Geral da União, confessou que nada mais o assusta, mas ao mesmo tempo se diz otimista que com os inúmeros casos vindos à tona, aqueles que estão no poder vão pensar suas vezes antes de cometer atos ilícitos.  Pesquisa realizada pelo historiador Pedro Henrique Campos, divulgada no livro “Estranhas catedrais (www.editoradauff.com.br)  conta como o setor de infraestrutura teve participação ativa no golpe de 1964 e cresceram nesse período uma vez que não havia sistema de fiscalização. O maior exemplo é a Odebrecht, responsável pelo edifício sede da Petrobras, no Rio de Janeiro e depois da Usina Angra1.

Para Campos as empresas que mais cresceram são as que mais souberam se corromper.

É óbvio de que: quem financia governa junto, sentencia o escritor. Entendo que somos hipócritas ao acreditarmos que as empreiteiras, maiores responsáveis pela corrupção, mudem o sistema de operação que sempre dão tão certo.

 

Não podemos ser ingênuos de acreditar que financiam as campanhas eleitorais apenas por causa dos olhos azuis desse candidato, ou as boas intenções daquele outro. O fazem com um propósito.

 

Que só pode ser o de obter vantagens futuras. Empreiteiras e governos são intimamente dependentes. De um lado temos as empresas precisando de contratos para sobreviverem.

De outro, temos os políticos, que para chegar ou se manter no poder dependem das eleições, que por sua vez dependem de investimentos. Dinheiro esse que não vem apenas de suas contas bancárias, de seus vencimentos como deputados, governadores, prefeitos, etc… Esses são trocados. As campanhas estão cada vez mais caras. Se gasta milhões e todo mundo sabe disso, os números são públicos. O percentual de dinheiro próprio é exíguo diante dos gastos.

 

A Justiça Eleitoral finge que fiscaliza, porque o gasto declarado é muitas vezes menor do que o efetuado.

Alguém se perguntou por que as empreiteiras lideram as listas de doação de campanha?  E, com que intenção o fazem?  

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