Muita calma nessa hora
Tenho de parabenizar meus colegas de imprensa que, com muita responsabilidade, não têm alardeado as manifestações isoladas de algumas pessoas que, embora motivadas pela preocupação de não perder seus bens, portanto justas, acabam por tumultuar ainda mais um processo que por si só já é complicado. Refiro-me a distribuição das telhas e as inúmeras queixas dos moradores que aguardam com ansiedade a passagem dos caminhões carregados das telhas.
Algumas utilizam as redes sociais e tentam usar os veículos de comunicação para espalhar informações que desestabilizam o esquema montado para atendimento das pessoas.
Não é bom para ninguém e só cria mais problemas. Nesse momento onde há tanta gente a ser atendida e são limitados os meios e materiais, temos de ajudar no que for possível para que o socorro chegue a todos que precisam.
A Defesa Civil do Estado, que é quem está coordenando toda a ação, tem experiência o bastante para conduzir o processo de forma idônea. O secretário da defesa Civil, Rodrigo Moratelli, representa aqui a presença do governo do estado e, está agindo como determina o manual nos casos de catástrofes e dentro das normas legais. Mesmo porque terá de prestar contas de cada centavo que está sendo utilizado.
Não é sem razão que cada entrega de telhas é acompanhada de um relatório, inclusive com fotos, para haver comprovação de que ninguém tomou mais do que devia, ou de que esse não precisava ser contemplado. Se não acreditarmos na lisura do processo, no qual está envolvido até o Exército, não dará para crermos em mais nada.
Algumas pessoas não se conformam que, não tendo ainda sido atendida, os funcionários da prefeitura ganhem prioridade na cobertura de suas casas.
A primeira vista, também pensava assim, mas diante da explicação, acabei entendo como sendo o certo. A quase totalidade dos funcionários – do que atende no balcão, aos motoristas dos veículos e tratoristas, dos que consertam os canos da Semasa aos que recolhem nosso lixo -, foram atingidos pelo granizo. Entre atender suas famílias ou ir trabalhar, a maioria estava optando por resolver primeiro seu problema – o que é obvio -, ou estava no trabalho com a cabeça voltada à família. Esses, portanto precisam ser atendidos para voltem ao trabalho e a população não fique sem água, sem atendimento à saúde, as creches fiquem abertas e o lixo não se acumule em frente às nossas casas. Gerando um volume de reclamações muito superior ao que já há.
Também tem de haver prioridade às pessoas idosas e às vezes doentes que residem sozinhos. E são muitas delas. Para essas, também foi montando um esquema em separado.
Portanto, é importante que tenhamos calma nessa hora. Só depois é que poderemos avaliar os erros e acertos.