Um relato e dois questionamentos

 

Ainda sobre o Hospital São José:

Entre os relatos que foram encaminhados à 5ª Promotoria de Jaraguá do Sul e que integram o relatório da Vigilância Sanitária que determinou o fechamento do Hospital São José, de Bocaina do sul, há um que me deixou impressionada.  

Nele a coordenadora de Saúde Mental de Jaraguá, Denise Thum, narra que no dia 5 de novembro do ano passado (2013) foi encaminhado a essa unidade um senhor de 58 anos, usuário do CAPSad do município, com um quadro de intoxicação aguda por uso de álcool. A técnica de enfermagem que o acompanhou disse que durante a viagem ele estava bem, conversando e alimentando-se normalmente. Chegando ao hospital de Bocaina ela questionou o motorista sobre o estado do prédio e instalações, a presença de pacientes nas janelas com grandes, gritando e xingando. O motorista disse que isso era comum.

Quatorze dias após o internamento, o hospital comunicou que o paciente já tinha alta. A mesma técnica de enfermagem retornou a Bocaina, no dia 19 de novembro, para buscá-lo. Na portaria, observou que uma enfermeira trazia um senhor idoso apoiado nos dois braços. Não reconheceu, nesse senhor fraco e envelhecido, aquele homem que havia levado até lá a menos de 15 dias. Além de muito magro, o homem estava completamente desorientado, com feridas expostas com presença de moscas, e com fraldas (estava com diarreia).

“Durante a viagem, nos momentos de lucidez, ele relatava sobre os maus tratos, agressões físicas e banhos gelados”, conta a técnica. De volta à Jaraguá, ele foi conduzido diretamente à UTI do hospital local (entre outras coisas estava com broncopneumonia e anemia),  onde veio a falecer  quadro dias depois.

 

Reproduzo aqui o relato para questionar duas coisas: a primeira delas é quanto à afirmação de que a unidade não é referência em atendimento psiquiátrico, se vários pacientes de Jaraguá e outra partes do estado eram encaminhados para lá através dos CAPSad de seus municípios? Segundo: conforme informação que obtive, esse hospital tinha diretor clínico, que por sinal é o atual vice-prefeito, o médico Walmir Luciano. Mesmo diante de tantas denúncias e questionamentos com relação ao tipo de tratamento aplicado aos pacientes, não se questionou o responsável. Nem ele veio a público defender o hospital ou reunir as lideranças políticas da região para buscar uma solução para manter o hospital aberto. 

 

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