Um fato que merece reflexão: Condutas habituais

 

Aconteceu lá em Anita Garibaldi, no dia 8 de janeiro de 2014, mais poderia ter ocorrido em qualquer lugar desse país. E, tenha a certeza, pode estar acontecendo até mesmo nesse momento em algum outro município: um mecânico da prefeitura usando a caminhonete do poder público transportou uma máquina de sorvete, fazendo um favor para o cunhado, dono de uma cafeteria. Nós mesmos já não assistimos isso acontecer inúmeras vezes em diferentes situações? Mas lá, alguém fotografou e levou ao Ministério Público, que por sua vez encaminhou ação à justiça. Ambos – mecânico e dono da cafeteria – foram condenados por usarem carro oficial em transporte particular.

 

“Típico e corriqueiro”

A notícia causou surpresa a algumas pessoas, entre eles os próprios envolvidos. Tanto que, ao serem interrogados, confessaram “que o uso das máquinas dos órgãos públicos para prestar serviços a particulares é algo típico e corriqueiro de pequenos municípios e que tais fatos vêm ocorrendo há mais de 20 anos”.  

O promotor Marcos De Martino destacou a importância dessa decisão: “a condenação dos envolvidos envia duas mensagens para a sociedade: que condutas imorais tidas por habituais, insignificantes e que para alguns ‘não dariam em nada’, estão sendo devidamente punidas; e que o Ministério Público não descansará no vigilante combate contra a corrupção”. 

 

A verdade é que a população em geral perdeu a noção do que é lícito ou ilícito, do que consiste um ato de corrupção. Muitos entendem que é uma ação restrita aos políticos e a quem é eleito ou escolhido para exercer um cargo publico. Mas, o cidadão comum também o pratica todos os dias, na medida em que “molha a mão do policial” para fugir à multa ou sonegar os impostos.

 

A corrupção está muito mais arraigada no nosso dia a dia do que podemos imaginar. Já faz parte do perfil do brasileiro, sempre pronto a dar um jeitinho, desde quando a família real veio para o Brasil, trazendo uma enorme corte de desocupados, vivendo às custas da coroa.

Tomando esse exemplo de Anita Garibaldi, fica difícil alguém apontar o dedo para outro. É o caso, por exemplo, daquele vereador que faz emocionante discurso contra os desmandos dos políticos, das fraudes e desvios, mas usa o veículo doado pela prefeitura para o serviço de uma entidade, para buscar o filho no colégio. 

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