A ação da Polícia Federal na quinta-feira passada, com a busca e apreensão de documentos e até computador na casa e gabinete do vice-prefeito de Correia Pinto, Marcos Beffort, gerou muita especulação.
Todos silenciam
A Polícia Federal mantém as investigações em sigilo, até para que não atrapalhem o processo. Beffort não se pronunciou e até o prefeito Vânio Forster tratou de manter seu compromisso no litoral, nesse dia, para ficar longe e não sofrer respingos da operação, procurando mostrar a tranquilidade de quem estaria distante do fato que gerou a Operação Aurantiaco, como foi denominada. Contudo podemos deduzir que: se o alvo das investigações seriam fraudes em licitação, se referem ao uso de verba proveniente de convênios federais, já que as investigações estão afetas à Polícia Federal.
Pelo nome de batismo da operação, a polícia já indica que se trata do uso de “laranja” em licitações.
Portanto, muito provavelmente Beffort ou alguém da família seria sócia de uma empresa que venceu licitação da prefeitura.
Há casos que nem são investigados
Há administradores, como de São José do Cerrito, que “esquecem ou não sabem” que a legislação proíbe a contratação de empresas ligadas a agentes públicos. Lá, o posto que fornece combustível à prefeitura é de uma filha do prefeito. A diferença é que a comunidade sabe e não foi preciso de laranjas para camuflar o processo. Ninguém questionou a lisura da licitação.
Beffort é forte candidato à sucessão de Vânio

No caso de Correia Pinto, o caso ganha amplitude porque Beffort é o nome forte do PMDB à sucessão de Vânio Forster, inclusive com o apoio do atual prefeito. Tais denúncias que levaram à investigação, podem também, terem objetivo político. Não seria a primeira vez que se tenta ferir mortalmente a imagem de um político com denúncias dessa natureza. Só que eles têm uma incrível capacidade de ressurgir das cinzas e no decurso de um mandato já estão recuperados e prontos a retomarem seu espaço no cenário político.
Prefeito também está envolvido na Operação Bola de Neve
O próprio Vânio Forster é alvo de investigação na Operação Bola de Neve, também por suspeitas de fraudes em licitação e está com seus bens indisponíveis desde setembro do ano passado.
Mesmo com as investigações em curso agentes públicos não se intimidam
Custa-me a crer que, mesmo com todas as denúncias de fraudes, desvios e corrupção generalizada e com tantos políticos sendo alvo de investigação, ainda assim, tenha administradores desavisados achando que estariam acima de qualquer suspeita e que a mão do Ministério Público ou da Justiça não lhes alcançam. Significa que a punição de uns não está servindo de exemplo e nem contém a ação de outros.