O que precisa mesmo para que o aeroporto federal receba voos regulares?

Quem acha que as atividades do aeroporto federal de Lages se restringem as realizadas pelo Aeroclube, está enganado. Constatei que ali acontecem cerca de 300 movimentações por mês. Há dias em que posam até 10 aeronaves de particulares, taxi aéreo, do governo ou transporte de enfermos, como da Unimed, por exemplo.

 

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Em cerca de uma hora em que fiquei no aeroporto pousou essa aeronave particular

 

Como explica o gestor de Segurança Operacional, George Picinato, não há aviação regular (com linhas aéreas regulares), mas são intensas as atividades da aviação geral. E, pelo menos uma vez por mês um ATR 72, o mesmo que a Azul pretende operar em Lages, passa pelo aeroporto de Lages. Normalmente fazem essa escala para abastecer as aeronaves, no caso dos particulares.

 

O que falta mesmo para o aeroporto poder operar voos regulares?

 

Ele contesta a informação de que a cada vez que se retoma o assunto aeroporto se alterem as exigências da Anac para dotá-lo de voos regulares. 

Observa que são apenas  dois os impedimentos:  ter uma empresa interessada em operar em Lages e a modernização da estação meteorológica. Decididos esses, tudo o resto será  resolvido por consequência. 

 

O que precisa para uma empresa poder operar?

 

Não basta uma empresa aérea simplesmente querer operar aqui.

Necessita  obter  slots – janelas de operação – e o status do hotran – que é a licença de horários de transporte -, para estabelecer as rotas dos voos. A liberação de slot está condicionada à avaliação de fluxo de passageiros. O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por exemplo, com intensa movimentação de aeronaves, não abre slot para um voo com três a quatro passageiros. 

Muito provavelmente, liberada uma linha de voos entre Lages e São Paulo,deverá pousar em aeroporto secundário, em vista dessa questão, onde conseguir slot

 

Anac exige a partir desse ano, equipamento digital para o serviço de meteorologia

 

A segunda questão, referente a estação de rádio, dotada hoje com serviço meteorológico ainda no sistema analógico. Por exigência do comando da aeronáutica, a partir desse ano nenhum aeroporto pode operar sem equipamento digital.

O seu custo fica bastante elevado, de R$ 200 a R$ 300 mil. Por essa razão que se está reivindicando os recursos junto ao governo do estado ( é quem  administra os aeroportos).

É um investimento grande mas, tendo em vista que logo estaremos com o aeroporto regional em operação, poderá posteriormente ser transferido para lá.

 

E o caminhão de bombeiros?

Segundo George Picinato, o antigo caminhão de bombeiros que o aeroporto tinha é muito velho e não atende as exigências da Anac. Aliás nem sabe onde ele está hoje.

Mas, quanto a isso, está já em negociação  um convênio com o Corpo de Bombeiros, para que esse se equipe e ofereça o serviço. Precisa de caminhão disponível no pouso e decolagem, com pessoal treinando para o combate a incêndio em aeroporto e equipamento próprio.

 

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Já existem instalações próprias para os bombeiros, inclusive com uma cozinha e abrigo.

 

E o caso do barracão da Tyson?

 

.  O caso do barracão da Tyson, às margens da BR 282,  é o que chamam de “defasagem operacional”, segundo explica George Picinato.  Não se constituiu propriamente em impedimento para os voos, mas futuramente deve ser removido para liberar os 230 metros da cabeceira da pista.

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Mesmo as aeronaves da Azul, de 70 lugares, podem pousar sem risco.

 

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Aliás, o barracão da Tyson (1) é apenas um dos pontos de entraves no cone de aproximação. O eucalipto que aparece na foto (2) também seria hoje considerado uma defasagem. É preciso que o proprietário faça o corte, mas tem se negado a isso.

Quanto ao Barracão, se constitui um entrave por questão de um metro. Se tivesse um metro a menos na altura, não representaria uma defasagem.

 

Os estudos para o Plano Diretor do entorno do aeroporto já está pronto. Falta agora que seja incluído no Plano Direitor da cidade, estabelecendo as regras de ocupação desse entorno. Para isso precisa da aprovação da Câmara.

 

E quanto a instalação da área de inspeção de passageiros?

 

A área de inspeção de passageiros também só se instalará a partir do momento em que se tiver empresa em operação, pois bastará contratar pessoal treinado para fazer o serviço, que hoje representaria um custo de R$ 39 mil/mês.

Sem linha regular não se justifica sua montagem.

 

 

Por que o aeroporto de Lages tem problema com as construções do entorno se existem aeroportos que ficam dentro da cidade, como de Congonhas, em São Paulo, por exemplo?

Segundo a explicação que obtive, tudo depende da localização do aeroporto, ou melhor, sua altitude. Os que estão mais próximos ao nível do mar, necessitam de menos pista para aterrissar.

 

No caso do aeroporto de Lages está a 900 metros do nível do mar, portanto precisa de mais pista para essa operação.

 

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