Sobre o desfile dos bloco…..

 

Embora tenhamos aqui algumas pessoas com o carnaval no sangue, como o caso de Luizinho Lins, da Protegidos, de Ubiratã Trindade, atual presidente da liga das Escolas de Samba e outros tantos, não podemos dizer que o lageano seja realmente um folião.

 

No passado eram os clubes sociais que promoviam a folia

 

Apegamo-nos ao passado glorioso dos desfiles dos blocos, para dizer que temos tradição. Mas naquela época eram os clubes sociais que promoviam toda a diversão da comunidade.

O carnaval acontecia nos seus salões e de lá ganhava as ruas. Era um tempo diferente.

Hoje, a maioria das pessoas pode até gostar, achar bonito, mas dai a folião, tem um grande caminho.

 

 

Blocos têm de ganhar às ruas não se limitarem a 800 metros de uma avenida

 

Em outras regiões do Brasil, os blocos e Trios elétricos saem nas ruas arrastando multidões. No Rio, o Bloco da Bola Preta levou mais de um milhão de pessoas ao centro da cidade, com hora para começar, mas não para terminar.

As pessoas vão se juntando à multidão, por conta própria e a sua própria custa.

Em Florianópolis, o bloco do Berbigão é também um dos mais tradicionais, e lota o centro da capital com muita alegria e criatividade.

Em Lages, o desfile dos blocos tem de ter hora e local determinado, com certo número de integrantes e esses só têm samba no pé para os 800 metros demarcados na avenida. Esse desfile até leva curiosos para a avenida que acompanham a apresentação e se dispersam tão logo passa o último bloco.

 

Dependência do poder público

 

Aqui é preciso que o poder público dê toda a logística e organize o desfile. No Rio de Janeiro e, acredito nas demais escolas de samba desse país, o quesito para que as pessoas participem dos desfiles é que compre sua fantasia. Tem gente que economiza o ano inteiro para isso. Aqui, quando ainda aconteciam os desfiles das escolas, o poder público tinha de bancar tudo. Muitas escolas tomavam o dinheiro e forneciam camisetes aos componentes, com pobreza total de alegorias e adereços.

 

Das oito ou nove, apenas uma ou duas se podia dizer que eram escola de samba de verdade.

 

O lageano é reservado e tímido demais para se despojar das roupas do dia a dia, vestir uma fantasia e sair para a rua se divertir.

Ou sair atrás de um Trio Elétrico, como se faz no nordeste.  Os poucos que realmente apreciam, passam o carnaval onde a diversão corre solta. Aqui, ele ainda precisa ser reinventado.

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