Desde setembro o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres suspendeu as cirurgias eletivas de alta complexidade, visto que excederam ao valor dos repasses feitos pelo governo estadual à Secretaria municipal de Saúde.
A decisão da direção do hospital se deveu ao fato de que o déficit do pagamento já estava comprometendo seu orçamento e teve de sustar até obras de reforma em andamento.
Hoje estaria em R$ 940 mil, quase um milhão de reais.
Consultada a respeito, a gerente de Saúde da SDR, Camila Baccin, informou que o governo faz o repasse mensal – R$ 370 mil – e cabe à secretaria municipal fazer o pagamento, em vista de que Lages tem gestão plena na área.
Significa dizer que todo o dinheiro da saúde que vem dos governos federal ou estadual vai para uma caixa única administrada pela prefeitura.
Dizia ela que cabe à secretária municipal regular a quantidade de cirurgias executadas por mês para caber no orçamento.
Já a secretária local da saúde, Cristina Subtil, argumentou que “cabe ao governo do estado pagar o excedente”, e reclama que a direção do hospital sustou os procedimentos sem esperar o encontro de contas. Mas, a direção do HNSP informa que foi feita a comunicação e não obteve resposta alguma. Por isso decidiu tomar essa decisão drástica.
De lá para cá, todas as partes estão cientes do problema, contudo, nenhuma iniciativa foi tomada para resolver a questão. Ficam nesse jogo de empurra sem nenhuma justificativa para que assim se proceda.
O que nos faz crer que a razão seja política. Se de um lado, a secretaria municipal de saúde não tomou as medidas que lhe cabe – já que seria sua a responsabilidade -, de outro, a gerente regional também não procurou para conversar a fim de encontrar uma saída.
Quem pagou a conta dos pacientes que foram enviados para fazer cirurgia em outro município?
Entendo que essa medida atinge igualmente os municípios vizinhos.
Para cá são enviados pacientes de vários outros locais, portanto entenderia que não cabe unicamente a Lages resolver o problema. Quando os pacientes de Lages precisaram ser encaminhados a outros municípios (Santo Amaro da Imperatriz) para realizar as cirurgias oftalmológicas, quem pagou a conta? O município de Santo Amaro ou de Lages? Acho que o equacionamento do problema passa por essa questão e precisa de uma definição rápida, pois na lista de espera para essas cirurgias já estão mais de 300 pessoas.
Reunião entre as partes já está agendada para semana que vem
A secretária municipal da Saúde, Cristina Subtil informou ontem que semana que vem estará acertando com o governo do estado a questão do pagamento dos valores excedentes das cirurgias eletivas de alta complexidade executadas pelo Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Ela reconhece as dificuldades para o governo, “em final de mandato, quanto é necessário fazer o fechamento das contas, fazer esse repasse”.