Governador falou sobre a doença que atingiu seu olho

 

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Durante a campanha eleitoral o governador Raimundo Colombo teve de ficar cinco dias completamente afastado de tudo, durante o final de agosto, se mantendo em ambiente fechado e escuro, sem poder ler ou assistir televisão, por conta de uma doença, provocada pelo vírus herpes-zóster , que atingiu a região do olho esquerdo. Em tratamento, mas ainda com dores, prosseguiu a campanha que culminou com sua vitória no primeiro turno. Seu tratamento levará alguns meses e deveria usar óculos escuros, pois a claridade ainda lhe agride o olho, mas declina deles. Entende como difícil conversar com as pessoas sem ser olho no olho. Na sexta-feira, durante entrevista na Acil, ele falou a respeito.

Já está superado seu problema de saúde governador?

 

Com ela paguei todos os meus pecados e estou com crédito. O herpes só dá de um lado do rosto e enxergo tudo nublado de um olho. Para cortar a barba pela manhã tenho de apagar a luz porque não suporta a claridade. Para tomar banho tenho de proteger o lado esquerdo da cabeça porque água não pode bater ali. Está muito sensível. Os nervos estão todos desencapados e a dor é insuportável. Tenho de lavar esse lado da cabeça com a mão.

 

De que forma surge essa doença ?

 

É do vírus da varicela. Todos que tiveram a varicela tem o vírus e quando você está com a imunidade baixa ele pode se manifestar. O herpes é o que chamamos de cobreiro, só que na maioria dos casos ela dá abaixo das axilas e muito raramente dá no olho. Tira a camada protetora dos nervos. Fica como se fosse um fio desencapado. E aí: é desumana a dor. Foram 60 dias de muita dor. Agora já melhorou muito, mas leva seis meses o tratamento completo. Se você não atende logo atinge o olho e pode deixar a pessoa cega.

 

Como começou a sentir os primeiro sintomas?

 

Eu tive muita sorte. O médico identificou na hora. Eu estive em São Paulo em uma reunião e naquela noite não consegui dormir de dor. Quando vim embora foi para São Lourenço do Oeste e já não estava apenas com dor de cabeça e o lado esquerdo do rosto estava muito vermelho. Um médico amigo meu olhou e disse que era uma ceratite (consiste na inflamação da córnea, a porção externa dos olhos que refrata e transmite a luz), me deu um colírio e eu vim embora. Dois dias depois, em Concórdia, estava ainda pior e novamente consultei um médico que confirmou a Ceratite e disse que poderia ser uma coisa viral. Era sábado, fui embora para Florianópolis e chegando lá liguei para o médico oftamologista que faz vinho em Campo Belo, o Ernani Garcia, e foram feitos os exames. Ele diagnosticou o vírus da herpes. Comecei a tomar os remédios. Mas também, por causa da ansiedade da campanha, não melhorava. Até que chegou uma hora em que uns amigos meus decidiram que tinha de procurar recurso. Fui colocado em um avião e me levaram para São Paulo. Ao chegar lá, o médico era o secretário de Saúde de São Paulo, Davi Uip.  Ele me disse: “eu vi na internet que você é de Lages”. E me contou que seu pai tinha uma transportadora em Lages. A Transportadora Perin. E, quando pequeno, vinha muito aqui passava o verão, . Esse médico tirou então todos os remédios – menos os colírios – e agora estou melhorando. Felizmente não ficará sequelas. Só tem de ter paciência e ficar alerta, porque pode voltar.

 

O sr. ficou apenas alguns dias afastado. Como foi ter de atender compromissos de campanha mesmo estando ainda com dores?

 

Foi difícil, imagina estar conversando com as pessoas e não poder vê-las. Ter de fazer discurso e não enxergar ninguém. Não podia nem assistir televisão porque a claridade me causava muita dor. Até que começaram a dizer que estava fugindo dos debates. Foi então obrigada a ir à TV mostrar a verdade, mesmo com um tampão no olho. E naquele dia em que dei uma entrevista (esteve no jornal do almoço onde foi entrevistado por Mário Motta) estava ainda quase desmaiando de dor.

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