Quiça todas as audiências pública tivesse resultado tal qual a realizada na quinta-feira. Embora, dos senadores convidados não tenha vindo nenhum e, apenas dois deputados da bancada catarinense atenderam ao convite: Celso Maldaner e Edinho Bez (ausente até nossa representante Carmen Zanotto). A contribuição do ex-deputado do Paraná, Luciano Pizzatto e do deputado Maldaner foram determinantes.
Estado e município pode assumir
o controle
Ambos concluíram que é possível se conseguir o manejo da araucária a partir da Lei Complementar Nº140, em que permite que estados e municípios assumam o controle e fiscalização ambiental. “Depende apenas do estado fazer uma proposta para ser levada a Brasília. O aval lá de Brasília eu garanto!” disse Maldaner. Para ele, o estado enfrenta problemas de muito mais difícil solução do que esse. Ressaltou que o Código Florestal Brasileiro, aprovado recentemente, ficou até melhor do que o catarinense.
O ex-deputado paranaense concordou e como concluiu o prefeito de São Joaquim, Humberto Brighenti, só existe dois caminhos para seguir: ou se paga o produtor pela preservação ou se permite o manejo.
Foto: Zé Rabelo
Para Brighentti esse problema vem se arrastando por 18 anos, desde quanto se proibiu o corte da araucária, e propõe uma ação conjunta dos três estados do Sul para se buscar a liberação do corte. Para o prefeito Elizeu Mattos” ou é isso ou condenamos a araucária à extinção”.
Arnaldo critica o Ibama
O então deputado Arnaldo Moraes não foi muito otimista, lembrou que o mesmo Ibama que negou a licença ambiental para construção da Usina Pai Querê, onde o impacto ambiental é mínimo; liberou as obras da Usina Garibaldi, onde ocorreram problemas ambientais seríssimos. “O Ibama usa dois pesos e duas medidas”, disse Arnaldo, ressaltando que o caminho para a liberação do corte é longo.
Pinheiro está apodrecendo no campo
Durante a audiência pública sobre o manejo da araucária foram muitas as queixas dos produtores, desde o problema enfrentado com a grimpa do pinheiro que entra nos focinhos dos animais às dificuldades encontradas para uso da propriedade cuja área útil fica cada vez menor.
Perdas nas propriedades
O procurador Nazareno Wolff lembra que nos últimos anos o proprietário rural viu sua área reduzida, considerando a reserva legal (20%), de preservação permanente e a preservação de espécies”. Sobrou pouco para utilizar, a ponto do produtor José Pereira Alves ter de reduzir o rebanho porque não dispõe de espaço na propriedade, como declarou na Câmara. Roberto Pagani garante que já tivemos aqui 100 milhões de araucárias e hoje há um volume muito maior do que foi extraído.
Produtor arca com o custo
da preservação
Outros alegam que os órgãos ambientais preferem deixar o pinheiro apodrecer no campo a dá-lo destinação comercial ou social. “Querem que preservemos, mas não nos pagam por isso”, como disse seu Alfeu Schillisting Filho. Mas o procurador também destaca que as experiências com a liberação para o corte também não foram boas. Em muitos casos cortou-se muito mais do que foi autorizado.