Um povo que não tem memória não tem história. Para preservá-la é necessário que seja sempre recordada para que cada geração se comprometa a repassá-la para seus descendentes. É assim que a história se perpetua e manter a identidade de um povo.
Vejo, por exemplo, que Curitibanos está realizando um evento nessa quinta-feira para relembrar um episódio da Guerra do Contestado: O incêndio que praticamente destruiu toda a cidade por conta dos jagunços que estavam à cata do Coronel Albuquerque, em setembro de 1914.
Aqui em Lages, se não fosse à iniciativa dos CTGs, creio até que nada nos faria lembrar da participação lageana na Revolução Farroupilha. Até perdemos a nossa heroína para Laguna, sem que ninguém tenha levantado a voz para contestar.
E sabe por quê?
A grande maioria do povo lageano desconhecia que Anita Garibaldi tinha nascido nos Morrinhos, cavalgado por nossas coxilhas e onde apreendeu até fazer palas com que presenteou Garibaldi. Seus pais e irmãos (maiores e menores) nasceram aqui. Somente ela – assim quiseram e conseguiram “provar” – nasceu em Laguna.
Creio mesmo que não a merecíamos. Seria a heroína de um só mundo, perpetuado apenas pelo que ela viveu na Itália. Teríamos diminuído o papel dessa heroína e quiçá sequer participaria dos registros históricos.
Com a inércia diante da preservação da nossa história, era bem possível que a participação de Anita nesse episódio nem tivesse sido cogitado.
É uma faixa muito pequena da população, acho até que ínfima, dos que realmente sabem que Lages foi a primeira conquista farrapa fora do Rio Grande do Sul.
Nesse aspecto, temos de reverenciar o dramaturgo Hermelindo Arruda Neto, que através de suas peças consegue levar à população um pouco da nossa história e lendas locais. Dá sua contribuição através da arte que domina.
Temos de replicar essas iniciativas, sobretudo incentivadas pela Fundação Cultural. Os CTGs cumprem sua missão mantendo viva a música, a dança e as mateadas, isso é: às tradições. É preciso fazer muito mais…