Não é de hoje que sabemos que na área da saúde há muito dinheiro escorrendo pelo ralo enquanto aumenta a demanda por atendimento. Só culpamos os órgãos governamentais pelos poucos recursos destinados, pelo atendimento que é ruim, pela falta de leitos, de remédios, de especialistas… Enfim, é longa a lista das queixas.
Os culpados
Na realidade são muitos os responsáveis pelo caos. Os governos são culpados sim, pois não fiscalizam com eficiência e também não se justifica que enquanto a educação fique com 25% do orçamento, a saúde fique com apenas 17%.
No mínimo teriam que se equiparar. Se bem que a educação tem maior parcela, mas há que questionar para onde vão esses recursos.
Há ainda a negligência dos operadores da saúde de toda a ordem.
Desde aqueles que só assinam ponto e não trabalham ou que dormem em serviço; a falta de planejamento e na distribuição dos remédios, aos desvios, aos boicotes e a falta de vontade dos agentes.
Usuários também são responsáveis
Mas os usuários do sistema também são culpados, prova disso é a notícia divulgada semana passada dando conta de que de janeiro a julho 113 mil pessoas foram fazer exames e não foram apanhá-los.
São R$ 100 mil por mês colocados no lixo. Além do gasto desnecessário, esses pacientes tiraram a vaga de alguém que realmente precisava do exame.
Segundo o diretor administrativo-financeiro, Maurício Batalha, o mês de abril foi o mais preocupante: 96.203 exames autorizados, 72.224 foram retirados e 22.140 ficaram na gaveta. Sabemos que a validade é de apenas 30 dias.
Marcação de consultas
O problema começa ainda na marcação de consultas com especialistas. Todas as pessoas que vão ao posto são encaminhadas aos especialistas (nem sei o que fazem os médicos dos postos).
Os moradores dos bairros não aceitam o agendamento, insistem na distribuição de fichas por dia e enfrentam filas diariamente saindo de madrugada de suas casas.
Consultas marcadas: chega até a 60% os casos em que o paciente não aparece. E, como toda a consulta com especialistas, sempre se sai com pedido de exame.
Alguns nem vão fazer o exame, e os que fazem há ainda um percentual de 30 a 40% que não vão buscar.
Se computar tudo, o prejuízo é muito maior do que os R$ 100 mil. Entendo que a prioridade dos gestores deveria ser justamente o de azeitar o sistema.