Olivete Salmória
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Mulher com câncer esteve 60 vezes no Tito Bianchini e todas elas era mandada para casa depois de receber medicação para a dor

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O eletricista João Gonçalves, cujo irmão (Roberto) morreu enquanto aguardava por um leito hospitalar no Pronto Atendimento foi uma das pessoas que deram depoimento, ontem (14), na CPI do Tito Bianchini.

Além disso, a esposa de João esteve por 60 vezes no Pronto Atendimento para depois ser diagnosticada com câncer. Chegava com muitas dores, era medicada e enviada embora. Sendo que inclusive estava com osso quebrado. Cada vez aguardava em média duas horas para ser atendida e em uma delas foram seis horas de espera. Certa vez seu João questionou as atendentes pela demora do atendimento e estas disseram que iam acordar os médicos. Enquanto isso a sala de espera estava lotada.

João conta que após, em consulta particular, se constatou o câncer que começou pelo pulmão e passou para os ossos, ela voltou ao Pronto Atendimento e o médico lhe indagou:

- A senhora já estava com todos estes problemas (sintomas) quando veio para ser atendida aqui?

- Sim, inclusive foi o senhor que me atendeu.

 

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O pedreiro Antônio Correia foi a segunda pessoa ouvida pela CPI, nesta quinta-feira.

Seu irmão Sebastião foi para o Pronto Atendimento com muitas dores, ficou quatro dias indo todos os dias do pronto Socorro, tomou soro e foi mandando para casa. Da Terça-feira até a sexta. Na sexta-feira permaneceu lá e no sábado somente é que foi internado. Antônio, que acompanhou o irmão, diz que muitas destas vezes foi humilhado.

 

Os médicos que o atenderam nas primeiras vezes não conseguiram diagnosticar um caso de apendicite supurada.

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A enfermeira do Pronto Atendimento Tito Bianchini, Kelly Carneiro, disse à CPI que as principais dificuldades hoje é o espaço físico que não comporta mais a demanda, ainda falta aprimorar o sistema Sisreg e a falta de especialistas nas unidades hospitalares para receberem os pacientes.

Observa que o Sisreg não é falho, está em fase de implantação e por isso precisa ser aprimorado. Uma delas é a queda do sistema que atrapalha o acesso.

Ela confirmou que à noite os médicos têm direito a uma hora de descanso. E os enfermeiros e atendentes têm 15 minutos para o café. São três médicos por turno e sempre tem um atendendo.

Kelly disse que os óbitos dentro do Pronto Atendimento não são rotineiros, “mas atendemos casos de pacientes gravíssimos, portanto ocorrem mortes”, observou. Diz que pelo levantamento feito, o índice de mortes está dentro do previsto pelos órgãos de saúde. Ela pessoalmente não acompanhou nenhum dos óbitos.

 

- “Já aconteceu de, nós estarmos ao lado do Hemosc, e o paciente precisar de sangue e por razões que desconheço a gente não conseguir e o paciente morre em decorrência disso”, contou ela. Isso não se caracteriza em negligência, mas por circunstâncias alheias ao trabalho desenvolvido ali. “Ficamos as vezes tentando desesperadamente buscar um espaço para internamento, mas não conseguimos de forma alguma, nos causando angustia”, conta Kelly.

A CPI prevê a realização de mais duas oitivas para apurar as 120 mortes ocorridas no PA

Sexta, 15 de Março de 2019 13:17
Escrito por: Olivete Salmória | Última atualização em Sexta, 15 de Março de 2019 18:41

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