Olivete Salmória
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Um registro histórico de Nereu Ramos que ainda é pouco conhecido

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Nota publicada na coluna de Moacir Pereira de 03.09.2018

Em Lages, terra natal de Nereu Ramos sequer foi lembrada a data. Isso ele foi o maior homem público que Lages já produziu.

Nesta nota, Moacir Pereira também faz referência a algo que também a maioria das pessoas desconhecem: uma faceta mórbida desta estadista.

Sobre SC e a presença nazi, muito se tem falado que a perseguição a alemães (natos ou descendentes) em solo catarinense se deu por causa da campanha de nacionalização de Getúlio Vargas na década de 1930. No segundo estado com maior número de descendentes alemães, o RS, a relação do governo com as comunidades teutas foi bastante amistosa, pelo menos até a eclosão da Guerra. Em SC, no entanto, a ruptura de relações acontece no momento em que Nereu Ramos assume o governo, no ano de 1935. A intenção de Ramos demonstra ser a de atacar as elites assim como os povos teuto-brasileiros e consolidar-se no poder do estado catarinense. 

Gustavo Henrique de Siqueira

Graduando do curso de História

 

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CLAYTON HACKENHAAR*

Tese de doutorado 

E, ele diz mais....

Nereu Ramos e seu grupo constataram que as escolas privadas eram uma das bases de sustentação dos republicanos do Vale do Itajaí e realizou uma investida contra elas, visando desmantelar um dos principais instrumentos utilizados pelas elites do Vale do Itajaí para consolidar seu poder, pois, segundo Paulo de Nóbrega, “as instituições culturais, e particularmente a escola, desempenharam papel importante na legitimação do poder e de quem e de como o exercia na Primeira República” (2006: 70). Exercer o controle e impor novos objetivos à educação catarinense, mas principalmente, às escolas privadas no Vale do Itajaí, eram aspectos primordiais na Campanha de Nacionalização, relacionados em grande medida a interesses políticos e econômicos do interventor de Santa Catarina, disfarçados em “integração” dos estrangeiros aos referencias culturais brasileiros. Estabelecimentos escolares nos municípios de Caçador e Itapyranga geraram desavenças e confrontos. 

Em Santa Catarina, somente em 1938 foram fechadas mais de 137 escolas privadas (MONTEIRO, 1979: 107). Apesar das alegações estatais para a Campanha de Nacionalização, muitos fechamentos estavam relacionados a outros interesses, como no caso da escola fechada por Nereu Ramos em Canoinhas:

As escolas de Gentil Steiner, em Joinville, e a de Jacoh Arns, em Criciúma, foram fechadas em 12 de setembro de 1942, por uma suposta divulgação da ideologia nazista e não cumprimento das leis de nacionalização.

Muitos dos imigrantes e seus descendentes perseguidos pela Campanha de Nacionalização não entendiam os motivos para as ações estatais, já que muitos deles se consideravam tão ou mais nacionais do que os brasileiros filhos de pais brasileiros. Com certeza, muitos desses imigrantes e seus filhos não se viam desintegrados, enquistados ou não assimilados à política e à economia catarinenses; por essas razões, era praticamente impossível entender os motivos que levavam Nereu Ramos e seu governo a persegui-los, prendê-los e violentá-los. 

 

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