PM contrata Ciasc por R$ 8,4 milhões

 SC em Pauta

Marcelo Lula

Mesmo com a contestação da Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar firmou um contrato de R$ 8,476 milhões, válido até 2028, para a compra de licenças de uso da plataforma Google Workspace, sem processo de concorrência. A aquisição foi feita no mercado de tecnologia com a intermediação do Ciasc. O parecer jurídico, que questiona a legalidade da contratação, foi assinado em março deste ano — dois meses após a abertura do processo pela PMSC.

O procurador Eduardo Melo de Cavalcanti Silva destaca (veja imagem abaixo) que a PMSC não poderia ter usado os dispositivos da nova Lei de Licitações (Lei Federal nº 14.133, de 2021), especialmente o artigo 75, IV, alínea d.

“Art. 75. É dispensável a licitação:

IV – para contratação que tenha por objeto:

d) transferência de tecnologia ou licenciamento de direito de uso ou de exploração de criação protegida, nas contratações realizadas por instituição científica, tecnológica e de inovação (ICT) pública ou por agência de fomento, desde que demonstrada vantagem para a Administração”.

Mesmo assim, a dispensa de licitação foi aprovada com o mesmo fundamento legal em 6 de maio deste ano, citando o parecer como favorável, mas sem atender à alteração recomendada.

A questão do enquadramento para dispensa é igualmente destacada no documento (veja imagem abaixo) em que é aprovada a contratação pelo Grupo Gestor do Governo, inserido antes do documento acima que formalizou a compra por meio do Ciasc.

A recomendação é inserida como uma “ressalva” — algo não comum em pareceres do grupo —, citando novamente o parecer da PGE, cuja recomendação, ao que tudo indica, foi ignorada no processo, resultando na assinatura do contrato com o Ciasc.

O valor inicial da dispensa, publicada no Diário Oficial no dia 30 de abril, era de R$ 12,714 milhões até 2030. Mas, no dia 26 de maio, o Ciasc enviou uma comunicação no processo, pedindo que fosse realizada a “atualização da tabela de valores, de modo que o cálculo reflita a totalidade da contratação até 31 de outubro de 2028”.

Como a autorização do Grupo Gestor estabelecia o teto e não poderia ser alterada no que seria pago neste ano pelas licenças, o contrato foi reduzido para 3 anos e ficou no patamar dos R$ 8,4 milhões, conforme publicado no Diário Oficial de terça-feira (17).

Aberto em 6 de janeiro deste ano, o processo na Polícia Militar começa com um documento de formalização da demanda que já traz a solução do Google como a mais adequada para substituir o sistema de e-mail Zimbra, que, segundo o documento, “está descontinuado e inseguro”.

Essa insegurança é descrita em outro documento, intitulado “Razão da escolha do contrato”, informando que o correio eletrônico atual da PMSC, denominado PMSC Mail, “teve seu suporte e segurança encerrados ao final do ano de 2023, deixando de receber atualizações e correções de vulnerabilidades”.

Além dos riscos que a corporação já estava suportando com o citado sistema, o texto que descreve a demanda parece elaborar — ou até copiar — uma peça de propaganda do produto, sem apresentar comparação com outros sistemas de mensagens eletrônicas, com destaque para a expressão nada isenta “e muito mais”.

“A aquisição do Google Workspace representa uma solução completa para a PMSC, que atende aos requisitos de segurança, confiabilidade e conformidade com a LGPD. O Google Workspace é um conjunto de aplicativos e serviços de produtividade baseados na nuvem, que inclui e-mail, calendário, armazenamento, colaboração, cloud e muito mais. O Google Workspace oferece suporte para tokens de acesso, que são uma forma segura de autenticação que atende aos requisitos da LGPD”.

Além disso, traz uma estimativa de valor anual para a compra das licenças de R$ 2,542 milhões. Este é exatamente o valor apresentado pelo Ciasc, abaixo do cotado com duas outras empresas de tecnologia (veja imagens abaixo).

As propostas de uma delas têm data anterior à abertura do processo — 30 de outubro de 2024. E, na segunda, há uma restrição importante que talvez possa invalidar a necessária pesquisa de preços: “Proposta Comercial válida até: 31 de dezembro de 2024”. Ou seja, já não valeria para o início do processo de compra da PMSC.

Com o valor exato da sua estimativa inicial contido na proposta comercial da empresa pública de automação, a abertura da dispensa de licitação foi autorizada em 16 de janeiro deste ano pela Diretoria de Apoio Logístico.

Os valores da estimativa e da proposta comercial do Ciasc são idênticos, além de as outras propostas apresentarem validade vencida ou data anterior à abertura do processo de compra pela Polícia Militar.

Contraponto

A Polícia Militar, a PGE e o Ciasc foram procurados. A assessoria da PM informou que a corporação não se manifestará, por entender que se trata de uma questão administrativa que deve ser tratada no âmbito do Grupo Gestor. A assessoria da PGE se limitou a dizer que não haverá manifestação sobre o assunto, enquanto a assessoria do Ciasc não respondeu à tentativa de contato.

Sobre o Workspace

Não há qualquer indício de atuação da Google para a venda de seu serviço sem licitação. Especialistas consultados destacam que o Google Workspace oferece versões de vários produtos que podem ser personalizados de forma independente com o nome do domínio de quem contrata, além de oferecer aplicativos da web com recursos similares ou melhores em comparação aos dos pacotes tradicionais.

Lages entra nas negociações de Jorginho na China

O Governo de Santa Catarina avançou nas negociações com a PowerChina, uma das maiores empresas globais de infraestrutura, energia e tecnologia. A reunião neste sábado, 21, teve como foco principal a possibilidade de instalação de um grande data center no estado, projeto que pode posicionar SC na vanguarda da transformação digital e do avanço da Inteligência Artificial (IA) no Brasil.

Uma das cidades discutidas foi Lages. Isso porque o clima ameno favorece esse tipo de equipamento que necessita de resfriamento.

“O mundo está vivendo uma revolução digital com a Inteligência Artificial, e Santa Catarina não vai ficar para trás. Queremos trazer para o Estado investimentos que nos coloquem como referência em tecnologia e inovação no Brasil”, afirmou o governador Jorginho Mello.

Audiência pública defende a federalização dos Caminhos da Neve

Durante a audiência pública realizada na tarde de sexta-feira, 20 de junho, no São Joaquim Park Hotel, o prefeito de São Joaquim, José Teodoro de Sena Amaral, o Dorinho, ressaltou os avanços do Estado de Santa Catarina na conclusão da Rodovia Caminhos da Neve (BR-438). A reunião contou com a presença de autoridades dos dois estados sulistas e teve como principal pauta a continuidade das obras da estrada, que liga a Serra Catarinense à Serra Gaúcha e ao Litoral de Santa Catarina.

Dorinho destacou que, do lado catarinense, a obra está em fase final de tratativas. Segundo ele, faltam apenas 10,4 quilômetros para a conclusão da pavimentação, e o governo estadual já autorizou os recursos necessários. A expectativa é que uma reunião com o Exército Brasileiro, marcada para os dias 26 ou 27 de junho, defina se o trecho será executado pelas forças armadas ou por uma empresa privada.

“A gente tem duas tratativas. Primeiro, do lado catarinense: uma situação consolidada. O governador Jorge Mello já autorizou a obra e falta apenas 10,4 quilômetros. Já temos reunião marcada com o Exército para definir se será feita por eles ou por empresa privada”, afirmou o prefeito.

Sobre o trecho gaúcho, Dorinho foi enfático ao dizer que o cenário é diferente e mais preocupante. Restam ainda cerca de 44 quilômetros sem pavimentação, e o Governo do Rio Grande do Sul não dispõe de orçamento para finalizar a obra. Uma das alternativas discutidas é a federalização da estrada no lado gaúcho, para que o Governo Federal possa assumir a responsabilidade.

“No Rio Grande, hoje não tem nada feito, e o governo não tem orçamento. Então, uma das soluções é a federalização, mas isso deve ser tratado separadamente. Santa Catarina já está fazendo sua parte, e o Governo Federal pode assumir a do Rio Grande do Sul”, completou Dorinho.

O prefeito concluiu dizendo que a audiência foi importante para esclarecer os caminhos possíveis e reforçar que Santa Catarina seguirá com sua parte da obra, enquanto pressiona para que o trecho gaúcho seja viabilizado com recursos federais.

A Rodovia Caminhos da Neve é considerada fundamental para fortalecer o turismo de inverno, facilitar o escoamento da produção agrícola e integrar ainda mais os dois estados do Sul.

Homem é condenado a mais de 24 anos de prisão por matar a esposa

Um fato ocorrido em 10 de fevereiro do ano passado abalou a cidade de Ponte Alta do Norte, no Planalto. Naquela madrugada, um homem de 56 anos matou a esposa a facadas por ciúmes e, na sequência, atacou o filho adolescente, atingindo-o com golpes nas regiões cervical e torácica. Ele fugiu do local, mas posteriormente foi preso preventivamente e denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), tornando-se réu em uma ação penal. 

Ele foi submetido ao Tribunal do Júri na última quarta-feira (18/6), acusado de homicídio contra a esposa, tentativa de homicídio contra o filho e posse ilegal de arma de fogo – pois mantinha em casa um revólver e espingardas sem registro. A sessão aconteceu em Curitibanos, município-sede da comarca. Após seis horas de julgamento, os jurados acolheram todas as teses do MPSC e o réu foi condenado a 24 anos, dois meses e 12 dias de prisão, em regime inicial fechado. 

O Promotor de Justiça Felipe Rodrigues da Silva Sanches, que atuou na sessão apresentando a denúncia aos jurados, afirmou que a condenação representa uma resposta à impunidade. “A decisão do Tribunal do Júri reafirma o compromisso da sociedade com a defesa da vida e com o combate à violência doméstica. A pena aplicada reflete a gravidade dos atos praticados e as consequências negativas que até hoje afetam a vítima sobrevivente”. 

Três qualificadoras descritas no Código Penal foram reconhecidas, agravando a pena: o feminicídio (crime praticado por razões da condição de sexo feminino), o motivo fútil (ciúmes) e o emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas. O fato de o assassinato da esposa ter sido cometido na frente do filho também foi considerado para o aumento da pena aplicada. 

Após o encerramento da sessão, o réu foi reconduzido imediatamente ao presídio para o cumprimento da sentença imposta pelo Tribunal do Júri. Ele não poderá recorrer em liberdade. 

1,87 feminicídios para cada 100 mil mulheres

Último levantamento do Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostrou um aumento no caso de feminicídio e estupro em 2024. O número de feminicídio no ano passado é o maior da série histórica, foram 1.459 ocorrências, o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia em razão de seu gênero. A região Centro-Oeste continua sendo a mais afetada, com uma taxa de 1,87 feminicídios para cada 100 mil mulheres, superando a média nacional de 1,34. Já os casos de estupro também alcançaram um pico, sendo o maior número dos últimos cinco anos, totalizando 83.114 ocorrências. Em média 227 pessoas foram estupradas diariamente, sendo 86% das vítimas do sexo feminino. Em relação às taxas por 100 mil habitantes, os estados de Rondônia (87,73), Roraima (84,68) e Amapá (81,96) apresentaram os índices mais elevados.

10 mil pessoas foram ver Fernando e Sorocaba

Cerca de 10 mil pessoas foram ao Estádio Municipal Vidal
Ramos Júnior para acompanhar a segunda noite de shows nacionais gratuitos e curtir o som de uma das duplas mais consagradas do sertanejo brasileiro: Fernando & Sorocaba.

Em um dos momentos mais marcantes da noite, Sorocaba desceu até a plateia para cantar junto com o público, gerando grande comoção. Outro destaque foi o tradicional churrasco realizado durante a apresentação: os artistas assaram pedaços para os fãs, levando a galera ao delírio.

Hoje tem audiência pública em São Joaquim

Nesta sexta-feira acontece no São Joaquim Park Hotel, a Audiência Pública da Roda Caminhos da Neve – na BR 438.  Estes 50 km de estrada ligando a serra catarinense à serra gaúcha vai encurtar em 100 km o percursos entre as duas serras. É bom lembrar que do lado gaúcho ainda não tem nenhum quilômetro asfaltado.

Os defensores do projeto visualizam o roteiro como uma ligação de grande potencial entre dois polos turísticos de excelência – Florianópolis, um dos grandes destinos do país, e Gramado, a pérola da serra gaúcha. Nascido em São Joaquim, o jornalista aposentado Rogério Martorano, que lançou a ideia dos Caminhos da Neve em 1993, estima que a estrada, ainda com trechos inconclusos, encurtará em mais 100 quilômetros a distância rodoviária entre os dois pontos. Hoje, há oito quilômetros de chão batido em território catarinense e cerca de 30 quilômetros sem asfalto no lado do Rio Grande do Sul.

Gilberto é uma das pessoas pelas quais o MP ofereceu denúncia na Operação Coliseu

Essa não entendi! O ex-superintendente da Fundação Cultural divulgou nota e comunicado informando que ele teria sido excluído da Operação Coliseu porque nada contra ele foi levantado durante as investigações. Mas, ontem o Ministério Público informou que ofereceu denúncia contra duas pessoas envolvidas nesta operação. Hoje confirmei que um deles é o Gilberto Ronconi. ex-superintendente da fundação que pediu exoneração do cargo em outubro de 2024, quando a Operação Coliseu foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas).

Consta que a investigação constatou o recebimento de vantagem indevida na contratação de artistas para um evento de final de ano organizado pela Prefeitura de Lages. Os denunciados devem responder a uma ação penal pelas práticas de desvio de recursos públicos, recebimento de vantagem indevida e inserção de informações falsas em documento particular.

Vale ressaltar que parte do procedimento foi arquivado no dia 9 de junho deste ano e desta parte do processo que Giba foi isentando. Mas a investigação prossegue em relação a outros fatos conexos, havendo, inclusive, diligências complementares em andamento que poderão gerar novos desdobramentos.

Gilberto Ronconi disse que não recebeu nenhum comunicado com relação a denúncia e, mesmo seu advogado, não encontrou nada que ratifique a informação. É preciso observar que o Ministério Público ofereceu denúncia e agora cabe ao judiciário acatar ou não.