Praça da Fraternidade virou refúgio de drogados

A Praça da Fraternidade virou um local perigoso, pois alí se instalaram não apenas moradores de ruas, mas um local onde os viciados vão para consumi de drogas e até comercializar drogas.

Por falar nisso, já citei aqui que aumentou o número de pedintes na cidade.

O secretário de Assistência Social, Jean Pierre Izequiel já informou que há equipes para a abordagem deste pessoal e a disponibilidade de um espaço para fornecer banho, comida e cama, mas muitos não querem. Cita que um casal de haitianos que estava em Lages foi conduzido para lá mas não quis ficar, porque o casal tinha de dormir separados (alojamentos feminino e masculino). E, pasmem, foram para o hotel. Isso porque o ganho médio de um pedinte em Lages fica entre R$ 200,00 a 300,00, quando não mais.

Somente nesta manhã de quinta-feira, mais de dez pessoas estavam na Praça da Fraternidade.

Segundo Jean Pierre há em Lages uma média de 60 pedintes e destes apenas 30 são lageanos.

Outro dia abordaram um homem que estava aqui para seguir para São Joaquim para trabalhar nos pomares, que já tinha 51 passagem pela polícia por roubo de carro, embora já tenha pagado sua pena.

6 comentários em “Praça da Fraternidade virou refúgio de drogados”

  1. Primeiramente, gostaria de falar que “refúgio de drogados” é uma forma bem ruim de definir a questão. Há muitas histórias de vida ali.

    Enfim, é importante que as pessoas saibam que há uma política pública que atende as pessoas, mas há muitos motivos pelos quais as pessoas optam por ficar nas ruas, alguns de fato são o consumo de drogas, alguns são por orgulho, alguns são por traumas, alguns são por questões de saúde mental, vários são pela soma de alguns desses fatores. Tem a Abordagem Social que vai até eles, tem o Abrigo Temporário onde eles podem ir, tem o Centro POP, o CAPS 2 e o CAPS AD que tem atendimento para eles, tem o Acolhimento POP que serve de morada temporária para famílias, mas mesmo com todos esses serviços nós enquanto sociedade não conseguimos superar a questão. Tive a felicidade de trabalhar nesses espaços no passado, foi um tempo de muito trabalho em que conheci profissionais extremamente dedicados que davam sangue e suor para tentar tirar as pessoas das ruas, não para higienizar a cidade, mas para que elas tenham uma nova chance de viver com a dignidade que todos merecem.

    Também é importante lembrar que a temporada de colheitas traz gente de todos os lugares, desempregados e desesperados em busca de oportunidades, nômades que vivem migrando de lugar em lugar, alguns sim com passagens pela polícia, outros não, alguns sim usuários de substâncias, outros não. Muitas cidades dão passagem para as pessoas irem embora para onde quiserem, Lages é mais responsável, só encaminha a pessoa para onde ela tenha quem possa o receber, nem sempre aceitam essas passagens.

    A soma de todos esses fatores torna a questão muito complexa e difícil de resolver, ainda mais em meio as crises que o país vem passando. Há quem diga que trabalho tem pra todo mundo, mas só quem já ficou desempregado e ouviu do chefe que se tá ruim procure outro lugar sabe que não é bem assim, as coisas não estão fáceis para ninguém, para quem tem uma doença, está sujo e não tem endereço para por no currículo, é ainda mais difícil!

    Uma das coisas que mais me dói é que minha família inteira é cristã, eu, um ateu declarado, vejo muitos cristãos comentarem a questão aqui e em outros espaços que abordaram nos últimos dias, defendendo que a PM resolva isso na base da porrada. Imagino os rostos dessas pessoas no meio da multidão apedrejando jesus e afirmo com convicção que não compreenderam as mensagens proferidas pelo homem que dizem ser o salvador. Falta amor ao próximo…

    • Fui escrevendo e no fim saiu um texto imenso, mas as coisas que li e vi me serem respondidas em outros espaços me forçaram a amarrar bem as pontas para não vir ninguém com palavras de ordem na sequência kkkkkkk

  2. Fico perfeito, Ícaro Piran, não teria como fala melhor.
    Parem com essa perseguição contra as pessoas em situação de rua, em situação de vulnerabilidade social.

  3. Não conheço o Ícaro…. mas concordo com suas ponderações. infelizmente vivemos tempos em que se “resgatou” a ideia da “higiene social”. É muito fácil para quem tem uma vida estável financeiramente, um emprego, uma casa para morar, computador/tablet, celular….para escrever com tanto preconceito. Inclusive nos meios de comunicação, a mesma emissora “nº 1 no ibope” faz campanha de cesta básica, de agasalho…. vive metendo a lenha em quem mora na rua, vá entender….. A questão dos moradores de rua e de quem faz uso de drogas é MUIIIIITO mais complexa. Criticar é fácil, difícil mesmo é ajudar a resolver e propor mudanças (dignas e justas). Mas não é de se estranhar este preconceito/julgamento, pois numa cidade que constrói estátuas de Correia Pinto, tudo pode se esperar…..

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